sexta-feira, 10 de agosto de 2012

CUBA - RELIGIÃO E SOCIALISMO


Pastor batista e deputado cubano fala, em entrevista ao “Brasil de Fato” sobre religiosidade no país,  ”atualização do socialismo” e cenário latinoamericano
No Brasil de Fato
O reverendo Raúl Súarez, 77 anos, é um dos principais personagens ecumênicos da Revolução Cubana. O pastor batista – membro do parlamento cubano desde 1993 – é considerado um dos responsáveis pela flexibilização do Estado cubano em relação à religiosidade. Por um longo período, desde 1959, os dirigentes do Partido Comunista não admitiam as práticas religiosas no país, muito menos a presença de religiosos na agremiação. Súarez participou de conversas com Fidel Castro, que foi se convencendo do poder de mobilização da religião, sobretudo após visita a um encontro das Comunidade Eclesiais de Base no Brasil, em 1990. Em entrevista ao Brasil de Fato, Súarez relata como sua trajetória religiosa encontrou-se com os ideais políticos da revolução cubana. O pastor também comenta o momento atual de Cuba, que passa por mudanças para “aperfeiçoar o socialismo”.
Brasil de Fato – Para iniciar, poderia contar um pouco sua trajetória como pastor batista e o seu encontro com os ideais da revolução de 1959?
Raúl Súarez – Vivi 24 anos no sistema capitalista de Cuba. Em 1953, com 18 anos, pela primeira vez ouvi o nome de Fidel Castro, quando do assalto ao Quartel de Moncada. Desde então, minha simpatia por seus ideais se iniciou e permanece até hoje. Quando a revolução triunfa em 1959, iniciei minhas atividades como pastor, em um setor bastante pobre do país, a Península de Zapata. Participei da ajuda aos feridos da invasão mercenária do país, na Baía dos Porcos. Posso dizer que não estava preparado bíblica e politicamente para viver uma revolução comandada por pessoas que não eram da igreja e, em sua maioria, eram marxistas que queriam implementar o socialismo.
No entanto, por minha origem social, em meio aos trabalhadores rurais, algo como os sem-terra do Brasil, um setor muito pobre, meu coração sempre esteve ao lado da revolução, pela obra humanitária de justiça social para todos os cubanos.
Então, havia uma contradição entre um coração que respondia à minha origem social e uma racionalidade que respondia à formação teológica por missionários estadunidenses. Foi um processo agônico, conflituoso, tenso. Mas, em 1971, senti a necessidade de mudar de minha pastoral para iniciar uma nova pastoral com uma base bíblica e teológica mais fortalecida e aberta, contextualizada. Por outra parte, a interpretação que alguns setores da revolução faziam do marxismo-leninismo, criava dificuldades para se tomar uma consciência. Era muito dogmática e sectária, influenciada pelos manuais soviéticos sobre o tema da fé cristã e da revolução.
Como foi a evolução da relação entre a revolução cubana e a religiosidade no país?
A partir de 1984, a história me proporcionou um encontro com Fidel Castro. Ali se inicia uma plena consciência de que unidos à revolução, poderíamos superar as contradições entre marxistas e cristãos, tudo pela unidade nacional.
Nesse ano, preparei uma atividade em homenagem a Martin Luther King, como secretário-executivo do Conselho Ecumênico de Cuba, em que defendemos a candidatura do Reverendo Jesse Jackson à presidência dos Estados Unidos. Nesse ato, Fidel compareceu. Participei do jantar que Fidel ofereceu a Jackson e tive uma conversa de três horas com ambos. Fidel nos presenteou com o livro “Fidel e a Religião”, de Frei Betto, que ainda não havia sido publicado. Com o propósito de que percebêssemos qual era seu pensamento em relação à religião, que não era um dogmático. Foi um reconhecimento de que não tinha nenhuma restrição com o símbolo, como ele disse, que é Jesus Cristo. Após esse encontro, iniciou-se uma nova etapa entre a revolução e a igreja.
Em 1990, Fidel vem ao Brasil na posse de Fernando Collor e se impressiona com um encontro com cerca de 4 mil delegados de Comunidades Eclesiais de Base. Nessa época, a União Soviética já dava indícios de que desapareceria, e amigos e inimigos da revolução pediam que Fidel fizesse o mesmo movimento que se desenhava no Leste Europeu, ou seja, uma transição ao capitalismo. Nesse encontro, as canções, consignas e as leituras da bíblia eram solidárias com Cuba e pediam a Fidel que se mantivesse firme com a revolução e o socialismo.
Após seu regresso a Cuba, reunimo- nos com muito mais pessoas, por nove horas e, a partir dessa reunião, o Partido Comunista fez uma nova interpretação em relação à política. Em seu 4º Congresso, em relação à igreja, eliminou os impedimentos à religiosidade no país e as barreiras para que os religiosos fossem membros do Partido.
Formulou-se também uma nova lei eleitoral e, em 1993, a Central do Trabalhadores de Cuba me indicou como deputado, pelo papel que o movimento ecumênico estava desempenhando na unidade dos cubanos. Então, desde lá até hoje, sou membro do parlamento cubano e da comissão de relações internacionais.
Não tenho contradição entre ser um pastor ativo, fiel à minha vocação pastoral, e em me posicionar ao lado da revolução e um sentimento de pertencimento ao processo revolucionário.
Como o senhor avalia o processo de mudanças que Cuba vive no momento. Com a renovação dos quadros e a chamada atualização do socialismo?
Eu creio que a situação atual de Cuba e sua definitiva convicção de que se deve reorientar a política e a economia é parte de um processo revolucionário.
A revolução não é um projeto petrificado, congelado no passado, não é um museu, mas um movimento. A situação que vive a humanidade, com crises econômicas, ecológicas, é resultado de um sistema globalizado capitalista, que não é mais sustentável. Por ser globalizado, o capitalismo atinge os países pobres, e Cuba não está imune a isso. Temos poucos recursos. As conquistas sociais de Cuba foram alcançadas em um momento propício.
Fidel, antes da doença, disse: “não há bloqueio estadunidense que possa derrotar a revolução, só nós mesmos podemos o fazer”. Aí ele desenvolve um resumo do que é a revolução, como um decálogo, que reflete a essência do pensamento de Fidel e do pensamento ético revolucionário do povo cubano.
Ele afirma que temos que mudar tudo o que deve ser mudado, sem pular etapas e sem copiar qualquer modelo estrangeiro. Não levamos a cabo o modelo chinês, soviético, vietnamita. Estamos dispostos a aprender com todos, como disse Raúl Castro, mas o nosso projeto deve nascer do contexto cubano, caribenho e latino-americano. Esse processo se leva a cabo com a participação ativa do povo. Iniciou-se um debate em toda a sociedade, incluso as igrejas. Mais de 7 milhões de pessoas participaram, sendo que 1,5 milhão expuseram suas demandas. Disso, criou- -se um diagnóstico em que apareceu a angústia, as críticas e as esperanças do povo. As principais críticas eram referentes à burocracia do país, o centralismo do Estado. Não houve críticas ao socialismo e à revolução.
Então surge uma proposta de alinhamento econômico e social. Agora estamos em fase de implementação dessas demandas apontadas no processo de discussão. Por outra parte, se leva a cabo a descentralização do Estado, com menos ministérios, menos burocracia. E a eliminação de algumas decisões verticais e a atribuição de mais poder aos municípios e comunidades, que terão mais autonomia e responsabilidades. É uma reconsideração do projeto socialista e do projeto econômico.
Há uma leitura feita pela imprensa internacional de que essas transformações seriam parte de uma transição ao capitalismo. O que o senhor pensa desta avaliação?
Foi interessante o discurso de Raúl Castro quando tomou posse. “Não fui eleito para destruir o socialismo, mas para aperfeiçoá-lo”. A intenção é essa, colocá- lo em seu tempo e espaço sobre uma base econômica que sustente e que se siga adiante o processo ético de igualdade e justiça.
Não há nenhuma intenção de regressar ao capitalismo. O povo, nos debates, nunca critica o socialismo. Critica os erros que se cometem na construção do socialismo.
Como membro da Comissão de Relações Internacionais do parlamento cubano, como o senhor avalia o atual momento da América Latina? Depois de um período de surgimento de governos mais à esquerda, parece que há uma interrupção dessa tendência, com o golpe de Estado no Paraguai, a eleição de Piñera no Chile e a volta do PRI ao poder no México…
O governo de Bush foi bruto, torpe. Com os problemas internos e as guerras, deu pouca importância para a situação da América Latina. Mas Obama é um presidente astuto e inteligente. É um filho do sistema. Mudou o motorista, mas o carro segue sendo o mesmo. Continua sob o controle da indústria bélica e das grandes transnacionais. Continuam as demandas de construção de bases militares em regiões estratégicas de fonte de água e petróleo.
Iniciaram, em Honduras, uma nova maneira de retomar a América Latina como quintal dos Estados Unidos. Tentaram dar um aspecto legal ao golpe. Agora, no caso do Paraguai, está comprovado que militares dos EUA conversaram com políticos paraguaios sobre a possibilidade de se instalar uma base militar na região do Chaco, uma região miserável, mas estratégica.
Há uma política imperialista que visa impor eleitoralmente, com fraudes ou sem fraudes, governos de direita.

domingo, 5 de agosto de 2012

IMPORTANTE LER

Vale a pena mobilizar!
Carta publicada ontem no Globo...
Para fazer "a revolução", não precisamos pegar em armas ou acabar com a vida de ninguém. A nossa "arma", são as redes sociais, acredite no poder que nós temos. Basta cada um fazer a sua parte e ampliar.
Tá na sua mão. Na nossa mão.
Seja bastante coerente.
A Carta publicada no Globo
Tudo tem um começo,... e parte de um princípio!
um dia a casa se "apruma"!

Esta é uma Matéria que vale a pena repassar, solicito que divulguemos com entusiasmo, chega de nepotismo e de interesses ardilosos!

A Carta publicada ontem no Globo
Por Gil Cordeiro Dias Ferreira
Que venha o novo referendo pelo desarmamento. Votarei NÃO, como da primeira vez, e quantas forem necessárias. Até que os Governos Federal, Estaduais e Municipais, cada qual em sua competência, revoguem as leis que protegem bandidos, desarmem-nos, prendam-nos, invistam nos sistemas penitenciários, impeçam a entrada ilegal de armas no País e entendam de uma vez por todas que NÃO lhe cabe desarmar cidadãos de bem.
Nesse ínterim, proponho que outras questões sejam inseridas no referendo:
· Voto facultativo? SIM!
· Apenas 2 Senadores por Estado? SIM!
· Reduzir para um terço os Deputados Federais e Estaduais e os Vereadores? SIM!
· Acesso a cargos públicos exclusivamente por concurso, e NÃO por nepotismo? SIM!
· Reduzir os 37 Ministérios para 12? SIM!
· Cláusula de bloqueio para partidos nanicos sem voto? SIM!
· Fidelidade partidária absoluta? SIM!
· Férias de apenas 30 dias para todos os políticos e juízes? SIM!
· Ampliação do Ficha-limpa? SIM!
· Fim de todas as mordomias de integrantes dos três poderes, nas três esferas? SIM!
· Cadeia imediata para quem desviar dinheiro público (elevando-se para a categoria de crime hediondo? SIM!. Atualização dos códigos penal e processo penal? SIM!
· Fim dos suplentes de Senador sem votos? SIM!
· Redução dos 20.000 funcionários do Congresso para um quinto? SIM!
· Voto em lista fechada? NÃO!
· Financiamento público das campanhas? NÃO!
· Horário Eleitoral obrigatório? NÃO!
· Maioridade penal aos 16 anos para quem tirar título de eleitor? SIM!
   Maioridade penal ( em cadeia ) aos 16 anos para quem cometer crimes? SIM 
Um BASTA! na politicagem rasteira que se pratica no Brasil? SIM !!!!!!!!!!!
"O dinheiro faz homens ricos; o conhecimento faz homens sábios e a humildade faz homens grandes."
DIVULGUEM PELO MENOS PARA DEZ PESSOAS DA SUA RELAÇÃO

APAGUE OS ENDEREÇOS E COLOQUEM NO CCO  QUANDO FOREM REPASSAR. VAMOS VER SE MUDAMOS O BRASIL? ESTÁ EM NOSSAS MÃOS.

O pior é que esse pessoal não repassa, não sai às ruas igual na Grécia, na Síria, no Egito etc.





domingo, 29 de julho de 2012

MUITO IMPORTANTE

O texto é longo, mas vale a pena ser lido.
Observem a origem de quem escreveu.

BRASIL  CARINHOSO
Bom dia, dona Dilma!
Eu também assisti ao seu pronunciamento risonho e maternal na véspera do Dia das Mães. Como cidadã da classe média, mãe, avó e bisavó, pagadora de impostos escorchantes descontados na fonte no meu contracheque de professora aposentada da rede pública mineira e em cada Nota Fiscal Avulsa de Produtora Rural, fiquei preocupada com o anúncio do BRASIL CARINHOSO.
Brincando de mamãe Noel, dona Dilma? Em ano de eleição municipalista? Faça-me o favor, senhora presidentA!  É preciso que o Brasil crie um mecanismo bastante severo de controle dos impulsos eleitoreiros dos seus executivos (presidente da república, governador e prefeito) para que as matracas de fazer voto sejam banidas da História do Brasil.
Setenta reais per capita para as famílias miseráveis que têm filhos entre 0 a 06 anos foi um gesto bastante generoso que vai estimular o convívio familiar destas pessoas, porque elas irão, com certeza, reunir sob o mesmo teto o maior número de dependentes para “engordar” sua renda. Por outro lado mulheres e homens miseráveis irão correndo para a cama produzir filhos de cinco em cinco anos. Este é, sem dúvida, um plano qüinqüenal engenhoso de estímulo à vagabundagem, claramente expresso nas diversas bolsas-esmola do governo do PT.
É muito fácil dar bom dia com chapéu alheio. É muito fácil fazer gracinha, jogar para a platéia. É fácil e é um sintoma evidente de que se trabalha (que se governa, no seu caso) irresponsavelmente.
Não falo pelos outros, dona Dilma. Falo por mim. Não votei na senhora. Sou bastante madura,  bastante politizada, marxista, sobrevivente da ditadura militar e radicalmente nacionalista. Eu jamais votei nem votarei num petista, simplesmente porque a cartilha doutrinária do PT é raivosa e burra. E o governo é paternalista, provedor, pragmático no mau sentido, e delirante. Vocês são adeptos do “quanto pior, melhor”. São discricionários, praticantes do “bullying” mais indecente da História do Brasil.
Em 1988 a Assembléia Nacional Constituinte, numa queda-de-braço espetacular, legou ao Brasil uma Carta Magna bastante democrática e moderna. No seu Art. 5º está escrito que todos são iguais perante a lei*.  Aí, quando o PT foi ao paraíso, ele completou esta disposição, enfiando goela abaixo das camadas sociais pagadoras de imposto seu modus governandi a partir do qual todos são iguais perante a lei, menos os que são diferentes: os beneficiários das cotas e das bolsas-esmola. A partir de vocês. Sr. Luís Inácio e dona Dilma, negro é negro, pobre é pobre e miserável é miserável. E a Constituição que vá para a pqp. Vocês selecionaram estes brasileiros e brasileiras, colocaram-nos no tronco, como eu faço com o meu gado, e os marcaram com ferro quente, para não deixar dúvida de que são mal-nascidos. Não fizeram propriamente uma exclusão, mas fizeram, com certeza, publicamente, uma apartação étnica e social. E o PROUNI se transformou num balcão de empréstimo pró escolas superiores particulares de qualidade bem duvidosa, convalidadas pelo Ministério de Educação. Faculdades capengas, que estavam na UTI financeira e deveriam ter sido fechadas a bem da moralidade, da ética e da saúde intelectual, empresarial, cultural e política do País. A Câmara Federal endoidou?  O Senado endoidou? O STJ endoidou? O ex-presidente e a atual presidentA endoidaram? Na década de 60 e 70 a gente lutou por uma escola de qualidade, laica, gratuita e democrática. A senhora disse que estava lá, nesta trincheira, se esqueceu disto, dona Dilma?  Oi, por favor, alguém pare o trem que eu quero descer!
Uma escola pública decente, realista, sintonizada com um País empreendedor, com uma grade curricular objetiva, com professores bem remunerados, bem preparados, orgulhosos da carreira, felizes, é disto que o Brasil precisa. Para ontem.  De ensino técnico, profissionalizante. Para ontem. Nossa grade curricular é tão superficial e supérflua, que o aluno chega ao final do ensino médio incapaz de conjugar um verbo, incapaz de localizar a oração principal de um período composto por coordenação. Não sabe tabuada. Não sabe regra de três. Não sabe calcular juros.  Não sabe o nome dos Estados nem de suas capitais. Em casa não sabe consertar o ferro de passar roupa. Não é capaz de fritar um ovo. O estudante e a estudantA  brasileiros só servem para prestar vestibular, para mais nada. E tomar bomba, o que é mais triste. Nossos meninos e jovens lêem (quando lêem), mas não compreendem o que leram.  Estamos na rabeira do mundo, dona Dilma. Acorde! Digo isto com conhecimento de causa porque domino o assunto. Fui a vida toda professora regente da escola pública mineira, por opção política e ideológica, apesar da humilhação a que Minas submete seus professores. A educação de Minas é uma vergonha, a senhora é mineira (é?), sabe disto tanto quanto eu. Meu contracheque confirma o que estou informando.
Seu presente para as mães miseráveis seria muito mais aplaudido se anunciasse apenas duas decisões: um programa nacional de planejamento familiar a partir do seu exemplo, como mãe de uma única filha, e uma escola de um turno só, de doze horas. Não sabe como fazer isto? Eu ajudo. Releia Josué de Castro, A GEOGRAFIA DA FOME. Releia Anísio Teixeira. Releia tudo de Darcy Ribeiro. Revisite os governos gaúcho e fluminense de seu meio-conterrâneo e companheiro de PDT, Leonel Brizola. Convide o senador Cristovam Buarque para um café-amigo, mesmo que a Casa Civil torça o nariz. Ele tem o mapa da mina.
A senhora se lembra dos CIEPs? É disto que o Brasil precisa. De escola em tempo integral, igual para as crianças e adolescentes de todas as camadas, miseráveis ou milionárias. Escola com quatro refeições diárias, escova de dente e banho. E aulas objetivas, evidentemente.  Com biblioteca, auditório e natação. Com um jardim bem cuidado, sombreado, prazeroso. Com uma baita horta, para aprendizado dos alunos e abastecimento da cantina. Escola adequada para os de zero a seis, para estudantes de ensino fundamental e para os de ensino médio, em instalações individuais para um máximo de quinhentos alunos por prédio. Escola no bairro, virando a esquina de casa. De zero a dezessete anos. Dê um pulinho na Finlândia, dona Dilma. No aerolula  dá pra chegar num piscar de olhos. Vá até lá ver como se gerencia a educação pública com responsabilidade e resultado. Enquanto os finlandeses amam a escola, os brasileiros a depredam. Lá eles permanecem. Aqui a evasão é exorbitante. Educação custa caro? Depende do ponto de vista de quem analisa. Só que educação não é despesa. É investimento. E tem que ser feita por qualquer gestor minimamente sério e minimamente inteligente. Povo educado ganha mais, consome mais, come mais corretamente, adoece menos e recolhe mais imposto para as burras dos  governos. Vale a pena investir mais em educação do que em caridade, pelo menos assim penso eu, materialista convicta.
Antes que eu me esqueça e para ser bem clara: planejamento familiar não tem nada a ver com controle de natalidade. Aliás, é a única medida capaz de evitar a legalização do controle de natalidade, que é uma medida indesejável, apesar de alguns países precisarem recorrer a ela. Uberlândia, inspirada na lei de Cascavel, Paraná, aprovou, em novembro de 1992, a lei do planejamento familiar. Nossa cidade foi a segunda do Brasil a tomar esta iniciativa, antecipando-se ao SUS. Eu, vereadora à época, fui a autora da mesma e declaro isto sem nenhuma vaidade, apenas para a senhora saber com quem está falando.
Senhora PresidentA, mesmo não tendo votado na senhora, torço pelo sucesso do seu governo como mulher e como cidadã. Mas a maior torcida é para que não lhe falte discernimento, saúde nem coragem para empunhar o chicote e bater forte, se for preciso. A primeira chibatada é o seu veto a este Código Florestal, que ainda está muito ruim, precisado de muito amadurecimento e aprendizado. O planeta terra é muito mais importante do que o lucro do agronegócio e a histeria da reforma agrária fajuta que vocês estão promovendo.  Sou  fazendeira e ao mesmo tempo educadora ambiental. Exatamente por isto não perco a sensatez.  Deixe o Congresso pensar um pouco mais, afinal, pensar não dói e eles estão em Brasília, bem instalados e bem remunerados, para isto mesmo. E acautele-se durante o processo eleitoral que se aproxima. Pega mal quando um político usa a máquina para beneficiar seu partido e sua base aliada. Outros usaram? E daí? A senhora não é “os outros”. A senhora á a senhora, eleita pelo povo brasileiro para ser a presidentA do Brasil, e não a presidentA de um partidinho de aluguel, qualquer.
Se conselho fosse bom a gente não dava, vendia. Sei disto, é claro. Assim mesmo vou aconselhá-la a pedir desculpas às outras mães excluídas do seu presente: as mães da classe média baixa, da classe média média, da classe média alta, e da classe dominante, sabe por quê? Porque somos nós, com marido ou sem marido, que, junto com os homens produtivos, geradores de empregos, pagadores de impostos, sustentamos a carruagem milionária e a corte perdulária do seu governo tendencioso, refém do PT e da base aliada oportunista e voraz.
A senhora, confinada no seu palácio, conhece ao vivo os beneficiários da Bolsa-família? Os muitos que eu conheço se recusam a aceitar qualquer trabalho de carteira assinada, por medo de perder o benefício. Estou firmemente convencida de que este novo programa, BRASIL CARINHOSO, além de não solucionar o problema de ninguém, ainda tem o condão de produzir uma casta inoperante, parasita social, sem qualificação profissional, que não levará nosso País a lugar nenhum. E, o que é mais grave, com o excesso de propaganda institucional feita incessantemente pelo governo petista na última década, o Brasil está na mira dos desempregados do mundo inteiro, a maioria qualificada, que entrarão por todas as portas e ocuparão todos os empregos disponíveis, se contentando até mesmo com a informalidade. E aí os brasileiros e brasileiras vão ficar chupando prego, entregues ao deus-dará, na ociosidade que os levará à delinqüência e às drogas.
Quem cala, consente. Eu não me calo. Aos setenta e quatro anos, o que eu mais queria era poder envelhecer despreocupada, apesar da pancadaria de 1964. Isto não está sendo possível. Apesar de ter lutado a vida toda para criar meus cinco filhos, de ter educado milhares de alunos na rede pública, o País que eu vou legar aos meus descendentes ainda está na estaca zero, com uma legislação que deu a todos a obrigação de votar e o direito de votar e ser  votado, mas gostou da sacanagem de manter a maioria silenciosa no ostracismo social, desprecisada  e desinteressada de enfrentar o desafio de lutar por um lugar ao sol, de ganhar o pão com o suor do seu rosto. Sem dignidade, mas com um título de eleitor na mão, pronto para depositar um voto na urna, a favor do político paizão/mãezona que lhe dá alguma coisa. Dar o peixe, ao invés de ensinar a pescar, esta foi a escolha de vocês.
A senhora não pediu minha opinião, mas vai mandar a fatura para eu pagar. Vai. Tomou esta decisão sem me consultar. Num país com taxa de crescimento industrial abaixo de zero, eu, agropecuarista, burro-de-carga  brasileiro, me dou o direito de pensar em voz alta e o dever de me colocar publicamente contra este cafuné na cabeça dos miseráveis. Vocês não chegaram ao poder agora. Já faz nove anos, pense bem! Torraram uma grana preta com o FOME ZERO, o bolsa-escola, o bolsa-família, o vale-gás, as ONGs fajutas e outras esmolas que tais. Esta sangria nos cofres públicos não salvou ninguém? Não refrescou niente?  Gostaria que a senhora me mandasse o mapeamento do Brasil miserável e uma cópia dos estudos feitos para avaliar o quantitativo de miseráveis apurado pelo Palácio do Planalto antes do anúncio do BRASIL CARINHOSO. Quero fazer uma continha de multiplicar e outra de dividir, só para saber qual a parte que me toca nesta chamada de capital.  Democracia é isto, minha cara. Transparência. Não ofende. Não dói.
Ah, antes que eu me esqueça, a palavra certa é PRESIDENTE.  Não sou impertinente nem desrespeitosa, sou apenas professora de latim, francês e português. Por favor, corrija esta informação.
Se eu mandar esta correspondência pelo correio, talvez ela pare na Casa Civil ou nas mãos de algum assessor censor e a senhora nunca saberá que desagradou alguém em algum lugar. Então vai pela internet. Com pessoas públicas a gente fala publicamente para que alguém, ciente, discorde ou concorde. O contraditório é muito saudável.
Não gostei e desaprovo o BRASIL CARINHOSO. Até o nome me incomoda. R$2,00 (dois reais) por dia para cada familiar de quem tem em casa uma criança de zero a seis anos, é uma esmolinha bem insignificante, bem insultuosa, não é não, dona Dilma? Carinho de presidentA da república do Brasil neste momento, no meu conceito, é uma campanha institucional a favor da vasectomia e da laqueadura em quem já produziu dois filhos. É mais creche institucional e laica. Mais escola pública e laica em tempo integral com quatro refeições diárias. É professor dentro da sala de aula, do laboratório, competente e bem remunerado. É ensino profissionalizante e gente capacitada para o mercado de trabalho.
Eu podia vociferar contra os descalabros do poder público, fazer da corrupção escandalosa o meu assunto para esta catilinária. Mas não. Prefiro me ocupar de algo mais grave, muitíssimo mais grave, que é um desvio de conduta de líderes políticos desonestos, chamado populismo, utilizado para destruir a dignidade da massa ignara. Aliciar as classes sociais menos favorecidas é indecente e profundamente desonesto. Eles são ingênuos, pobres de espírito, analfabetos, excluídos? Os miseráveis são.  Mas votam, como qualquer cidadão produtivo, pagador de impostos. Esta é a jogada. Suja.
A televisão mostra ininterruptamente imagens de desespero social. Neste momento em todos os países, pobres, emergentes ou ricos, a população luta, grita, protesta, mata, morre, reivindicando oportunidade de trabalho. Enquanto isto, aqui no País das Maravilhas, a presidente risonha e ricamente produzida anuncia um programa de estímulo à vagabundagem. Estamos na contramão da História, dona Dilma!
Pode ter certeza de que a senhora conseguiu agredir a inteligência da minoria de brasileiros e brasileiras que mourejam dia após dia para sustentar a máquina extraviada do governo petista.
Último lembrete: a pobreza é uma conseqüência da esmola. Corta a esmola que a pobreza acaba, como dois mais dois são quatro.
Não me leve a mal por este protesto público. Tenho obrigação de protestar, sabe por quê?  Porque, de cada delírio seu, quem paga a conta sou eu.
Atenciosamente,
Martha de Freitas Azevedo Pannunzio
Fazenda Água Limpa, Uberlândia, em 16-05-2012
marthapannunzio@hotmail.com CPF nº 394172806-78
OBS:- foi entregue em mãos à PRESIDENTE.
*CONSTITUIÇÃO FEDERAL
TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
S
 
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sábado, 21 de julho de 2012

DEPOIS DA MORTE - LÉON DENIS

TEXTO PARA LEITURA E REFLEXÃO SOBRE A QUESTÃO CRUCIAL POSTA  AOS HOMENS SOBRE A VIDA E A MORTE
“Depois da Morte” foi a primeira de uma série de obras monumentais escritas por Léon Denis, na sua missão de divulgar e defender o Espiritismo, dando continuidade à grande obra de Allan Kardec.
Nesta obra, escrita em 1897, Denis amplia a nossa concepção da vida, demonstrando que somos seres imortais. Inicia fazendo uma avaliação das crenças e descrenças ao longo dos séculos. Em seguida, faz um estudo dos mais profundos temas: Deus, o Universo, a vida, a morte, a reencarnação e outros. E, após uma exposição detalhada do mundo espiritual, finaliza demonstrando o objetivo maior do Espiritismo, que é a elevação moral do ser humano.

Introdução

Vi, deitadas em suas mortalhas de pedra ou de areia, as cidades famosas da antiguidade: Cartago, em brancos promontórios, as cidades gregas da Sicília, os arrabaldes de Roma, com os aquedutos partidos e os túmulos abertos, as necrópoles que dormem um sono de vinte séculos, debaixo das cinzas do Vesúvio. Vi os últimos vestígios das cidades longínquas, outrora formigueiros humanos, hoje ruínas desertas, que o sol do Oriente calcina com suas carícias ardentes.
Evoquei as multidões que se agitaram e viveram nesses lugares: vi-as desfilar, diante do meu pensamento, com as paixões que as consumiram, com seus ódios, seus amores e suas ambições desvanecidas, com seus triunfos e reveses – fumaças dissipadas pelo sopro dos tempos. Vi os soberanos, chefes de impérios, tiranos ou heróis, cujos nomes foram celebrados pelos fastos da História, mas que o futuro esquecerá.
Passavam como sombras efêmeras, como espectros truanescos que a glória embriaga uma hora, e que o túmulo chama, recebe e devora. E disse comigo mesmo: Eis em que se transformam os grandes povos, as capitais gigantes – algumas pedras amontoadas, colinas silenciosas, sepulturas sombreadas por mirrados vegetais, em cujos ramos o vento da noite murmura suas queixas. A História registrou as vicissitudes de sua existência, suas grandezas passageiras, sua queda final, porém tudo a terra sepultou. Quantos outros cujos nomes mesmos são desconhecidos; quantas civilizações, raças, cidades grandiosas, jazem para sempre sob o lençol profundo das águas, na superfície dos continentes submersos!
E perguntei a mim mesmo: por que essas gerações a se sucederem como camadas de areia que, acarretadas incessantemente pelas ondas, vão cobrir outras camadas que as precederam? Por que esses trabalhos, essas lutas, esses sofrimentos, se tudo deve terminar no sepulcro? Os séculos, esses minutos da eternidade, viram passar nações e reinos, e nada ficou de pé. A esfinge tudo devorou!
Em sua carreira, para onde vai, pois, o homem? Para o nada ou para uma luz desconhecida? A Natureza risonha, eterna, moldura as tristes ruínas dos impérios, com os seus esplendores. Nela nada morre, senão para renascer. Leis profundas, uma ordem imutável, presidem às suas evoluções. Só o homem, com suas obras, terá por destino o nada, o olvido? A impressão produzida pelo espetáculo das cidades mortas, ainda a encontrei mais pungente diante dos frios despojos dos entes que me são caros, daqueles que partilharam a minha vida.
– Um desses a quem amais vai morrer. Inclinado para ele, com o coração opresso, vedes estender-se lentamente, sobre suas feições, a sombra da morte. O foco interior nada mais dá que pálidos e trêmulos lampejos; ei-lo que se enfraquece ainda, depois se extingue. E agora, tudo o que nesse ser atestava a vida, esses olhos que brilhavam, essa boca que proferia sons, esses membros que se agitavam, tudo está velado, silencioso, inerte. Nesse leito fúnebre mais não fui que um cadáver! Qual o homem que a si mesmo não pediu a explicação desse mistério, e que, durante a vigília lúgubre, nesse silenciar solene com a morte, deixou de refletir no que o espera a si próprio? A todos interessa esse problema, porque todos estamos sujeitos à lei.
Convém saber se tudo acaba nessa hora, se mais não é a morte que triste repouso no aniquilamento, ou, ao contrário, o ingresso em outra esfera de sensações.
Mas, de todos os lados levantam-se problemas. Por toda parte, no vasto teatro do mundo, dizem certos pensadores, reina como soberano o sofrimento; por toda parte, o aguilhão da necessidade e da dor estimula esse galope desenfreado, esse bailado terrível da vida e da morte. De toda parte levanta-se o grito angustioso do ser que se precipita no caminho do desconhecido. Para esse, a existência só parece um perpétuo combate: a glória, a riqueza, a beleza, o talento – realezas de um dia! A morte passa, ceifando essas flores brilhantes, para só deixar hastes fanadas.
A morte é o ponto de interrogação ante nós incessantemente colocado, o primeiro tema a que se ligam questões sem-número, cujo exame faz a preocupação, o desespero dos séculos, a razão de ser de imensa cópia de sistemas filosóficos. Apesar desses esforços do pensamento, a obscuridade tem pesado sobre nós. A nossa época se agita nas trevas e no vácuo, e procura, sem achar, um remédio a seus males. Imensos são os progressos materiais, mas no seio das riquezas acumuladas, pode-se ainda morrer de privações e de miséria. O homem não é mais feliz nem melhor. No meio dos seus rudes labores, nenhum ideal elevado, nenhuma noção clara do destino o sustém; daí seus desfalecimentos morais, excessos de revoltas. Extinguiu-se a fé do passado; o cepticismo e o materialismo substituíram-na e, ao sopro destes, o fogo das paixões, dos apetites, dos desejos, tem-se ateado. Convulsões sociais ameaçam-nos.
Às vezes, atormentado pelo espetáculo do mundo e pelas incertezas do futuro, o homem levanta os olhos para o céu, e pergunta-lhe a verdade. Interroga silenciosamente a Natureza e o seu próprio espírito. Pede à Ciência os seus segredos, à Religião os seus entusiasmos. Mas, a Natureza parece-lhe muda, e as respostas dos sábios e dos sacerdotes não satisfazem à sua razão nem ao seu coração. Entretanto, existe uma solução para esses problemas, solução melhor, mais racional e mais consoladora que todas as oferecidas pelas doutrinas e filosofias do dia; tal solução repousa sobre as bases mais sólidas que conceber se possa: o testemunho dos sentidos e a experiência da razão.
No momento mesmo em que o materialismo atingia o seu apogeu, e por toda parte espalhava a idéia do nada, surge uma crença nova apoiada em fatos. Ela oferece ao pensamento um refúgio onde se encontra, afinal, o conhecimento das leis eternas de progresso e de justiça. Um florescimento de idéias que se acreditava mortas, mas que dormitavam apenas, produz-se e anuncia uma renovação intelectual e moral. Doutrinas, que foram a alma das civilizações passadas, reaparecem sob mais desenvolvida forma, e numerosos fenômenos, por muito tempo desdenhados, mas cuja importância enfim é pressentida por certos sábios, vêm oferecer-lhe uma base de demonstração e de certeza. As práticas do magnetismo, do hipnotismo, da sugestão e, mais ainda, os estudos de Crookes, Russel Wallace, Paul Gibier, etc., sobre as forças psíquicas, fornecem novos dados para a solução do grande problema. Abrem-se abismos, formas de existência revelam-se em centros onde não mais se cuidava de observá-los. E, dessas pesquisas, desses estudos, dessas descobertas, nascem uma concepção do mundo e da vida, um conhecimento de leis superiores, uma afirmação da ordem e da justiça universais, apropriados a despertar no coração do homem, com uma fé mais firme e mais esclarecida no futuro, um sentimento profundo dos seus deveres, um afeto real por seus semelhantes, capazes de transformarem a face das sociedades.
É essa doutrina que oferecemos aos pesquisadores de todas as ordens e todas as classes. Ela já tem sido divulgada em numerosos volumes. Acreditamos nosso dever resumi-la nestas páginas, sob uma forma diferente, na intenção daqueles que estão cansados de viver como cegos, ignorando-se a si mesmos, daqueles que não se satisfazem mais com as obras de uma civilização material e inteiramente superficial, mas que aspiram a uma ordem de coisas mais elevada. É sobretudo para vós, filhos e filhas do povo, para quem a jornada é áspera, a existência difícil, para quem o céu é mais negro, mais frio o vento da adversidade; é para vós que este livro foi escrito. Não vos trará ele toda a ciência – que o cérebro humano não poderia conter –, porém será mais um degrau para a verdadeira luz. Provando-vos que a vida não é uma ironia da sorte nem o resultado de um acaso estúpido, mas a conseqüência de uma lei justa e eqüitativa, abrindo-vos as perspectivas radiosas do futuro, ele fornecerá um alvo mais nobre às vossas ações, fará luzir um raio de esperança na noite de vossas incertezas, aliviará o fardo de vossas provações e ensinar-vos-á a não mais tremer diante da morte. Abri-o confiantemente; lede-o com atenção, porque emana de um homem que, acima de tudo, quer o vosso bem.
Entre vós, muitos talvez rejeitem nossas conclusões: um pequeno número somente as aceitará. Que importa! Não vamos em busca de êxitos. Um único móbil inspira-nos: o respeito, o amor à verdade. Uma só ambição anima-nos: quereríamos, quando nosso gasto invólucro voltasse à terra, que o Espírito imortal pudesse dizer a si mesmo: minha passagem pelo mundo não terá sido estéril se contribuí para mitigar uma só dor, para esclarecer uma só inteligência em busca da verdade, para reconfortar uma só alma vacilante e contristada.

TEXTO PARA LEITURA E REFLEXÃO SOBRE A QUESTÃO CRUCIAL POSTA  AOS HOMENS SOBRE A VIDA E A MORTE
“Depois da Morte” foi a primeira de uma série de obras monumentais escritas por Léon Denis, na sua missão de divulgar e defender o Espiritismo, dando continuidade à grande obra de Allan Kardec.
Nesta obra, escrita em 1897, Denis amplia a nossa concepção da vida, demonstrando que somos seres imortais. Inicia fazendo uma avaliação das crenças e descrenças ao longo dos séculos. Em seguida, faz um estudo dos mais profundos temas: Deus, o Universo, a vida, a morte, a reencarnação e outros. E, após uma exposição detalhada do mundo espiritual, finaliza demonstrando o objetivo maior do Espiritismo, que é a elevação moral do ser humano.

Introdução

Vi, deitadas em suas mortalhas de pedra ou de areia, as cidades famosas da antiguidade: Cartago, em brancos promontórios, as cidades gregas da Sicília, os arrabaldes de Roma, com os aquedutos partidos e os túmulos abertos, as necrópoles que dormem um sono de vinte séculos, debaixo das cinzas do Vesúvio. Vi os últimos vestígios das cidades longínquas, outrora formigueiros humanos, hoje ruínas desertas, que o sol do Oriente calcina com suas carícias ardentes.
Evoquei as multidões que se agitaram e viveram nesses lugares: vi-as desfilar, diante do meu pensamento, com as paixões que as consumiram, com seus ódios, seus amores e suas ambições desvanecidas, com seus triunfos e reveses – fumaças dissipadas pelo sopro dos tempos. Vi os soberanos, chefes de impérios, tiranos ou heróis, cujos nomes foram celebrados pelos fastos da História, mas que o futuro esquecerá.
Passavam como sombras efêmeras, como espectros truanescos que a glória embriaga uma hora, e que o túmulo chama, recebe e devora. E disse comigo mesmo: Eis em que se transformam os grandes povos, as capitais gigantes – algumas pedras amontoadas, colinas silenciosas, sepulturas sombreadas por mirrados vegetais, em cujos ramos o vento da noite murmura suas queixas. A História registrou as vicissitudes de sua existência, suas grandezas passageiras, sua queda final, porém tudo a terra sepultou. Quantos outros cujos nomes mesmos são desconhecidos; quantas civilizações, raças, cidades grandiosas, jazem para sempre sob o lençol profundo das águas, na superfície dos continentes submersos!
E perguntei a mim mesmo: por que essas gerações a se sucederem como camadas de areia que, acarretadas incessantemente pelas ondas, vão cobrir outras camadas que as precederam? Por que esses trabalhos, essas lutas, esses sofrimentos, se tudo deve terminar no sepulcro? Os séculos, esses minutos da eternidade, viram passar nações e reinos, e nada ficou de pé. A esfinge tudo devorou!
Em sua carreira, para onde vai, pois, o homem? Para o nada ou para uma luz desconhecida? A Natureza risonha, eterna, moldura as tristes ruínas dos impérios, com os seus esplendores. Nela nada morre, senão para renascer. Leis profundas, uma ordem imutável, presidem às suas evoluções. Só o homem, com suas obras, terá por destino o nada, o olvido? A impressão produzida pelo espetáculo das cidades mortas, ainda a encontrei mais pungente diante dos frios despojos dos entes que me são caros, daqueles que partilharam a minha vida.
– Um desses a quem amais vai morrer. Inclinado para ele, com o coração opresso, vedes estender-se lentamente, sobre suas feições, a sombra da morte. O foco interior nada mais dá que pálidos e trêmulos lampejos; ei-lo que se enfraquece ainda, depois se extingue. E agora, tudo o que nesse ser atestava a vida, esses olhos que brilhavam, essa boca que proferia sons, esses membros que se agitavam, tudo está velado, silencioso, inerte. Nesse leito fúnebre mais não fui que um cadáver! Qual o homem que a si mesmo não pediu a explicação desse mistério, e que, durante a vigília lúgubre, nesse silenciar solene com a morte, deixou de refletir no que o espera a si próprio? A todos interessa esse problema, porque todos estamos sujeitos à lei.
Convém saber se tudo acaba nessa hora, se mais não é a morte que triste repouso no aniquilamento, ou, ao contrário, o ingresso em outra esfera de sensações.
Mas, de todos os lados levantam-se problemas. Por toda parte, no vasto teatro do mundo, dizem certos pensadores, reina como soberano o sofrimento; por toda parte, o aguilhão da necessidade e da dor estimula esse galope desenfreado, esse bailado terrível da vida e da morte. De toda parte levanta-se o grito angustioso do ser que se precipita no caminho do desconhecido. Para esse, a existência só parece um perpétuo combate: a glória, a riqueza, a beleza, o talento – realezas de um dia! A morte passa, ceifando essas flores brilhantes, para só deixar hastes fanadas.
A morte é o ponto de interrogação ante nós incessantemente colocado, o primeiro tema a que se ligam questões sem-número, cujo exame faz a preocupação, o desespero dos séculos, a razão de ser de imensa cópia de sistemas filosóficos. Apesar desses esforços do pensamento, a obscuridade tem pesado sobre nós. A nossa época se agita nas trevas e no vácuo, e procura, sem achar, um remédio a seus males. Imensos são os progressos materiais, mas no seio das riquezas acumuladas, pode-se ainda morrer de privações e de miséria. O homem não é mais feliz nem melhor. No meio dos seus rudes labores, nenhum ideal elevado, nenhuma noção clara do destino o sustém; daí seus desfalecimentos morais, excessos de revoltas. Extinguiu-se a fé do passado; o cepticismo e o materialismo substituíram-na e, ao sopro destes, o fogo das paixões, dos apetites, dos desejos, tem-se ateado. Convulsões sociais ameaçam-nos.
Às vezes, atormentado pelo espetáculo do mundo e pelas incertezas do futuro, o homem levanta os olhos para o céu, e pergunta-lhe a verdade. Interroga silenciosamente a Natureza e o seu próprio espírito. Pede à Ciência os seus segredos, à Religião os seus entusiasmos. Mas, a Natureza parece-lhe muda, e as respostas dos sábios e dos sacerdotes não satisfazem à sua razão nem ao seu coração. Entretanto, existe uma solução para esses problemas, solução melhor, mais racional e mais consoladora que todas as oferecidas pelas doutrinas e filosofias do dia; tal solução repousa sobre as bases mais sólidas que conceber se possa: o testemunho dos sentidos e a experiência da razão.
No momento mesmo em que o materialismo atingia o seu apogeu, e por toda parte espalhava a idéia do nada, surge uma crença nova apoiada em fatos. Ela oferece ao pensamento um refúgio onde se encontra, afinal, o conhecimento das leis eternas de progresso e de justiça. Um florescimento de idéias que se acreditava mortas, mas que dormitavam apenas, produz-se e anuncia uma renovação intelectual e moral. Doutrinas, que foram a alma das civilizações passadas, reaparecem sob mais desenvolvida forma, e numerosos fenômenos, por muito tempo desdenhados, mas cuja importância enfim é pressentida por certos sábios, vêm oferecer-lhe uma base de demonstração e de certeza. As práticas do magnetismo, do hipnotismo, da sugestão e, mais ainda, os estudos de Crookes, Russel Wallace, Paul Gibier, etc., sobre as forças psíquicas, fornecem novos dados para a solução do grande problema. Abrem-se abismos, formas de existência revelam-se em centros onde não mais se cuidava de observá-los. E, dessas pesquisas, desses estudos, dessas descobertas, nascem uma concepção do mundo e da vida, um conhecimento de leis superiores, uma afirmação da ordem e da justiça universais, apropriados a despertar no coração do homem, com uma fé mais firme e mais esclarecida no futuro, um sentimento profundo dos seus deveres, um afeto real por seus semelhantes, capazes de transformarem a face das sociedades.
É essa doutrina que oferecemos aos pesquisadores de todas as ordens e todas as classes. Ela já tem sido divulgada em numerosos volumes. Acreditamos nosso dever resumi-la nestas páginas, sob uma forma diferente, na intenção daqueles que estão cansados de viver como cegos, ignorando-se a si mesmos, daqueles que não se satisfazem mais com as obras de uma civilização material e inteiramente superficial, mas que aspiram a uma ordem de coisas mais elevada. É sobretudo para vós, filhos e filhas do povo, para quem a jornada é áspera, a existência difícil, para quem o céu é mais negro, mais frio o vento da adversidade; é para vós que este livro foi escrito. Não vos trará ele toda a ciência – que o cérebro humano não poderia conter –, porém será mais um degrau para a verdadeira luz. Provando-vos que a vida não é uma ironia da sorte nem o resultado de um acaso estúpido, mas a conseqüência de uma lei justa e eqüitativa, abrindo-vos as perspectivas radiosas do futuro, ele fornecerá um alvo mais nobre às vossas ações, fará luzir um raio de esperança na noite de vossas incertezas, aliviará o fardo de vossas provações e ensinar-vos-á a não mais tremer diante da morte. Abri-o confiantemente; lede-o com atenção, porque emana de um homem que, acima de tudo, quer o vosso bem.
Entre vós, muitos talvez rejeitem nossas conclusões: um pequeno número somente as aceitará. Que importa! Não vamos em busca de êxitos. Um único móbil inspira-nos: o respeito, o amor à verdade. Uma só ambição anima-nos: quereríamos, quando nosso gasto invólucro voltasse à terra, que o Espírito imortal pudesse dizer a si mesmo: minha passagem pelo mundo não terá sido estéril se contribuí para mitigar uma só dor, para esclarecer uma só inteligência em busca da verdade, para reconfortar uma só alma vacilante e contristada.

domingo, 24 de junho de 2012

Notas da Fazenda


UMA RESPOSTA NECESSÁRIA AO SR CAETANO JOSÉ DE LIMA

 Você chegou à triste situação do indivíduo que professa idéias falsas, sabe que são falsas, mas delas tira vantagens pessoais acusando outros de defeitos de conduta social definidos por você, que têm origem na inveja e no despeito que mancham o caráter das pessoas, no caso o trauma  que pesa na sua personalidade. E não chega mais a intimidar ninguém. Ora, você se beneficia da condição de agente de um governo marcado pela corrupção comprovada. É um dos “aloprados”. E os seus inimigos (que não são ini-migos mas instrumentos escolhidos para alcançar objetivos  de rendas e posições) possibilitam encarnar o mito (hoje desmoralizado) que você pensa representar: o justiceiro. Não pense que todos aceitam a sua “onda” de guerreiro. Você é somente um cavador de benesses pessoais, fala em trabalhos como um favor que realiza, na realidade, modestos e duvidosos no seu fundamento técnico-científico, esquecido que é um dos seus deveres como funcionário público ocupante de cargos bem remunerados. Já disse que o seu tempo passou que todos não se corromperam nem se rebaixaram como você. Existem os firmes, os que têm no patriotismo um sentimento que lhes dá identidade. Entenda que todos o vêm na sua dissimulada atividade social e funcional. Você não consegue esconder. Pois você está entre os que se envolveram no assassinato de prefeitos em São Paulo para assaltar os cofres públicos e também na “cachoeira” de escândalos que arrasam a moralidade social, a atividade da administração pública, denunciados, investigados, comprovados. Deixou o lado dos bons. Acho que foi um deles, mas perdeu-se no caminho.
Caetano. Você chegou à triste condição de não causar raiva pelos seus atos, você perdeu-se na hipocrisia: você dá pena. Um caso de terapia? Talvez. Você considera um ato de coragem berrar: “filhotes da ditadura, latifundiários, criminosos” etc. Você hoje existe porque se acoberta com a presença deles que no momento são os que mandam, são importantes. Você adula João Estrela um cidadão que é réu em dezenas de pro-cessos judiciais pela prática de crimes contra a administração pública, já condenado em alguns onde lhe foi assegurado direito a ampla defesa, como advogado que é, e através de advogados contratados. Você se abaixa e se encosta no deputado Lindolfo, no prefeito Tyrone e outros do time do poder, grandes latifundiários, empresários, verda-deiros filhotes da ditadura de ontem e de hoje. Onde você deixou a sua consciência, a obrigação (que insinua) de combatê-los? Você pensa que o povo é cego e surdo? Que as pessoas perderam a capacidade crítica, de julgar? Você as perdeu com certeza, entretanto muitos têm na ética social o modelo de sua conduta. Você entende bem o sentido do que escrevi. Não o ofendo porque você hoje não ameaça, não tem princípios, simplesmente dá pena pela fraqueza do caráter. Finalizo lamentando que o seu dinheiro (hoje é um ricaço) apenas serve para lhe permitir posições que se contrapõem à ética, ao interesse público, da coletividade. Distante, muito distante mesmo, ficou aquele passado de luta que você diz que teve. Dá pra duvidar que é verdade, em face de tamanha mudança.
Continuo o cidadão de sempre, legalmente aposentado do serviço público, dedicando parte do meu tempo a modesto trabalho rural, a cordial convivência social. Tenho de-feitos? Quem não os tem? Mas considero-me em condições morais de discuti-los, não se relacionam com a minha vida pública. Uma questão de julgamento que aceito, não fujo da cena social.
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UMA RESPOSTA NECESSÁRIA AO SR CAETANO JOSÉ DE LIMA

 Você chegou à triste situação do indivíduo que professa idéias falsas, sabe que são falsas, mas delas tira vantagens pessoais acusando outros de defeitos de conduta social definidos por você, que têm origem na inveja e no despeito que mancham o caráter das pessoas, no caso o trauma  que pesa na sua personalidade. E não chega mais a intimidar ninguém. Ora, você se beneficia da condição de agente de um governo marcado pela corrupção comprovada. É um dos “aloprados”. E os seus inimigos (que não são ini-migos mas instrumentos escolhidos para alcançar objetivos  de rendas e posições) possibilitam encarnar o mito (hoje desmoralizado) que você pensa representar: o justiceiro. Não pense que todos aceitam a sua “onda” de guerreiro. Você é somente um cavador de benesses pessoais, fala em trabalhos como um favor que realiza, na realidade, modestos e duvidosos no seu fundamento técnico-científico, esquecido que é um dos seus deveres como funcionário público ocupante de cargos bem remunerados. Já disse que o seu tempo passou que todos não se corromperam nem se rebaixaram como você. Existem os firmes, os que têm no patriotismo um sentimento que lhes dá identidade. Entenda que todos o vêm na sua dissimulada atividade social e funcional. Você não consegue esconder. Pois você está entre os que se envolveram no assassinato de prefeitos em São Paulo para assaltar os cofres públicos e também na “cachoeira” de escândalos que arrasam a moralidade social, a atividade da administração pública, denunciados, investigados, comprovados. Deixou o lado dos bons. Acho que foi um deles, mas perdeu-se no caminho.
Caetano. Você chegou à triste condição de não causar raiva pelos seus atos, você perdeu-se na hipocrisia: você dá pena. Um caso de terapia? Talvez. Você considera um ato de coragem berrar: “filhotes da ditadura, latifundiários, criminosos” etc. Você hoje existe porque se acoberta com a presença deles que no momento são os que mandam, são importantes. Você adula João Estrela um cidadão que é réu em dezenas de pro-cessos judiciais pela prática de crimes contra a administração pública, já condenado em alguns onde lhe foi assegurado direito a ampla defesa, como advogado que é, e através de advogados contratados. Você se abaixa e se encosta no deputado Lindolfo, no prefeito Tyrone e outros do time do poder, grandes latifundiários, empresários, verda-deiros filhotes da ditadura de ontem e de hoje. Onde você deixou a sua consciência, a obrigação (que insinua) de combatê-los? Você pensa que o povo é cego e surdo? Que as pessoas perderam a capacidade crítica, de julgar? Você as perdeu com certeza, entretanto muitos têm na ética social o modelo de sua conduta. Você entende bem o sentido do que escrevi. Não o ofendo porque você hoje não ameaça, não tem princípios, simplesmente dá pena pela fraqueza do caráter. Finalizo lamentando que o seu dinheiro (hoje é um ricaço) apenas serve para lhe permitir posições que se contrapõem à ética, ao interesse público, da coletividade. Distante, muito distante mesmo, ficou aquele passado de luta que você diz que teve. Dá pra duvidar que é verdade, em face de tamanha mudança.
Continuo o cidadão de sempre, legalmente aposentado do serviço público, dedicando parte do meu tempo a modesto trabalho rural, a cordial convivência social. Tenho de-feitos? Quem não os tem? Mas considero-me em condições morais de discuti-los, não se relacionam com a minha vida pública. Uma questão de julgamento que aceito, não fujo da cena social.
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