quarta-feira, 16 de maio de 2012

Notas da Fazenda


SERIAM ELES “PASTORES, BISPOS, APÓSTOLOS, MISSIONÁRIOS” CONFIÁVEIS?
Acho na verdade psicótico esse clamor evangélico em gritar a toda hora "Deus é fiel", "em nome de Jesus", "Deus seja louvado", etc.etc. e vender panfletos e anunciar e vender também cura de doenças, a salvação da alma. Fui apresentado a Jesus no batismo católico. Na infância e até o presente perto dos oitenta anos, tomei conhecimento de fatos de sua passagem na terra. Frequentei igrejas muito pouco e hoje muito menos, sem apelar para conduta hipócrita e fingida. E considero que tenho recebido a proteção de Deus pois vivo razoavelmente bem como cidadão. Não tenho do que reclamar. Assim entendo que me conduzo segundo as regras que Ele dita para a vida dos homens. O mais é psicose ou safadeza mesmo.  (leiam abaixo texto da Revista Veja)

XÔ SATANÁS! O diabo entra na briga entre Edir Macedo e Valdemiro Santiago

 O diabo entra na briga entre Edir Macedo e Valdemiro Santiago
Os hoje arqui-inimigos Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, e Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, convocaram o demônio para ajudá-los na batalha que travam pela alma e generosidade dos fiéis. Recentemente, em seu programa de TV, Macedo “interrogou” o diabo, que, supostamente encarnado em uma devota, “confessou” ter se instalado na igreja rival e ser o responsável pelas propaladas curas operadas por Valdemiro.

As entrevistas com o demônio para difamar a concorrência passaram a ser recorrentes na programação da Rede Record. O chefe da Mundial, por sua vez, rebateu as acusações com outras de igual fineza: em seu programa no Canal 21, ele afirmou que o “câncer” de Macedo é obra do demônio.
Na tréplica, Macedo levou sua médica à TV para atestar que não sofre da doença e ainda exibiu no programa Domingo Espetacular, da Rede Record, uma reportagem sobre a compra, por Valdemiro, de três fazendas avaliadas em 50 milhões de reais.
O acirramento da guerra dos pastores se dá num momento em que a Universal, de Macedo, perde fiéis e receita aos borbotões para a Mundial, de Valdemiro. Estima-se que, em catorze anos, o segundo tenha conquistado mais de 20% de seguidores do primeiro. Durante muito tempo, Valdemiro foi membro da cúpula da Universal. Preterido por Macedo na indicação para um posto de maior visibilidade na organização, ele rompeu com o chefe e fundou a sua própria igreja.
Habilidoso, deu um passo atrás e resgatou o modelo primitivo que deu origem ao fenômeno da Universal: a luta contra Lúcifer e a promessa de curas e milagres de toda ordem — pilares que Macedo mais tarde substituiu pela “teologia da prosperidade”. Ao adotar essa estratégia, Valdemiro passou a atender um nicho de fiéis que Macedo havia negligenciado com o amadurecimento do seu negócio, o público de menor poder aquisitivo e alta credulidade.
Seus seguidores passam horas de pé em filas para poder tocar o seu corpo ou recolher um pouco de seu suor em toalhas ou pedaços de pano que são distribuídos na igreja. Valdemiro fomenta a crença de que sua transpiração tem o condão de realizar milagres.




Edir Macedo para fiel supostamente possuída pelo demônio: “É você que tem tirado os pastores da Universal?” Fiel: “Eu me sinto bem no meu trono (na Igreja Mundial). Eu curo todo mundo.” Edir Macedo: “Quer dizer, demônio, que você faz a festa lá no Valdemiro?”
Com os cofres recheados, Valdemiro passou a assediar os membros da Universal. Oferecendo salários e comissões mais altos que os pagos por Edir Macedo, ele atraiu prepostos do rival na Argentina, Inglaterra e em países africanos. Para profissionalizar seus negócios, canibalizou executivos da Record e do Banco Renner, controlado pela Igreja Universal. A riqueza que Valdemiro Santiago ostenta Macedo contabiliza como prejuízo.
O estrangulamento de suas contas pela concorrência chegou a afetar as operações da Record e a atrasar salários na TV, como ocorreu no ano passado. O quadro de deterioração das finanças de Macedo se tornou ainda mais calamitoso com a penhora pela Justiça da sede da emissora no Rio de Janeiro para garantia do pagamento de dívidas da Universal do Reino de Deus.




“Tô falando para a igreja da fogueirinha, da Record, que fica me perseguindo falando um monte de abobrinha.
Tô falando daqueles doentes desenganados que o demônio está comendo o pâncreas e o fígado deles e não
tomam juízo.” diz Valdemiro Santiago, referindo-se a Edir Macedo, que levou sua médica à TV para afirmar
que ele não tem câncer
 A má fase não terminou aí. Em setembro, o Ministério Público denunciou Edir Macedo pelos crimes de estelionato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Os procuradores o acusam de lavar no exterior o dízimo recebido pelos fiéis para depois despejá-lo nas contas da Record. Ao lançar suspeitas sobre a forma como Valdemiro adquiriu suas fazendas, Macedo quer mostrar que o ex-discípulo também dá suas trombadas com a lei. Valdemiro já esteve enroscado em outras diabruras.
Em 2003, o chefão da Mundial foi condenado a pagar cestas básicas por porte ilegal de armas. Ele foi flagrado em uma blitz com uma escopeta, duas carabinas e munição. Em 2010, três de seus pastores foram presos em Mato Grosso do Sul transportando sete fuzis M-15. Em depoimento à polícia, o motorista afirmou que o destino das armas era a cidade de Niterói, no Rio de Janeiro.
A crise desencadeada pela Mundial do Poder de Deus obrigou Macedo a redesenhar a administração de seu negócio. Uma das providências foi baixar as exigências para a abertura de novos templos. Antes, para abrir uma franquia, o pastor tinha de comprovar um potencial de arrecadação mínimo de 150 000 reais mensais, a ser atingido em seis meses. Agora, esse piso caiu para 50 000 reais.
A comissão a que cada pastor tinha direito sobre o total arrecadado além da meta era originalmente de 10%. Macedo agora a dobrou. O que ele não abre mão é da eficiência. Os pastores que não cumprem as metas dentro do prazo contratado são transferidos ou perdem o comando da franquia. Essa mudança, que aponta para uma capilarização da Universal, faz parte da estratégia de Macedo de substituir o modelo de construção de megatemplos pela pulverização de igrejas menores no país, de manutenção mais barata e mais próximas da casa dos fiéis.
Com isso, ele espera baixar os seus custos de operação e evitar que outras ovelhas se desgarrem. Pastores e assessores próximos dos dois líderes afirmam que estes são apenas os primeiros movimentos de uma guerra sem previsão de fim.
Da Revista Veja


terça-feira, 8 de maio de 2012

Notas da Fazenda


HOSANAS AO AMIGO VELHO ERNANI SÁTIRO
Leitura atrasada d "O Canto do Retardatário" do contra-parente (explicarei a seguir) escritor e político Ernani Satyro. Eis uma pessoa genuína, vencedora. De sólida formação intelectual, corajoso na defesa de suas idéias e convicções. Legendário inegavelmente, na mais ampla acep-ção do termo. E peremptório isto sim, casmurral. Reacionário diplomado. Não fazia concessões. Vasta é a sua produção em títulos que constam de “Plano Inicial das Obras Completas de Ernani Sátriro”, elaborado pela FUNES (fundação que traz o seu nome). Romances e ensaios, versos, crônicas de sabor jornalístico, discursos, conferências. Presença escolhida nos "poetas bissextos" de Manoel Bandeira, transcrito, biografado e elogiado. Ali está o João Guimarães Rosa, do “Magma”. Uma honra para as letras tabajaras. Seus versos muito pessoais, também parafraseiam, falam nas letras e autores clássicos (Camões, Augusto, Pessoa), no amor, na tentativa utópica de reconstrução do mundo, na administração pública, na tradição da chefia familiar coronelista na política, na saudade. "Procurei acabar a fundura do mar [...] cadeiras na calçada". Mas reconhece: "Todos nós, afinal, somos ciganos [...] Na entrada do porto tem uma pedra [...] Do meu amor em Olinda [...] Recife, poema e chaga do Brasil". 
Ah! O Recife que reconstruiu a minha vida, que renasceu no exílio campestre – somente pensando, refletindo, vivenciando a vida mesmo, que é o que vale. Algo do amigo velho na minha estrada do devir. Na esquerda ou na direita, no amor e na guerra. Ele numa modéstia que não lhe cabia, afirmou que, a sua estrela se não era brilhante era constante. Tudo em capítulos precisos: “Canto da Inquietação das Cismas”, “Canto do Amor e da Mulher”, Canto da Solidão e da Morte”, “Canto dos Poemas de Circunstância”. Orador solene, sentencioso.
Ernani era filho de Miguel Sátiro e de Capitulina, que enviuvara de Inocêncio Leite, e era mãe de Firmino, sobrinho de minha avó Chiquinha, primo do meu pai, meu primo-segundo e padrinho de batismo. Ernani era, portanto, nosso "contraprimo". Nos desentendemos na política. Caprichos do meu lado e do dele também. Mas não traía, só perseguia. Resisiti. Governador do Estado ele me combateu e derrotou numa eleição para deputado estadual. Fui reeleito no pleito seguinte.
A arte não é a/o que satisfaz o ego. Pelo contrário, é a/o que desperta (ofende) a consciência crítica, circula, viaja no espaço e no tempo. Des-cobre, identifica e cria mundos. O momento atual é ativamente dinâmico ─ induz profissionalismo artesanal, busca e descoberta de materiais, ins-talações. Ernani escreveu num poema: “Vamos todos viver a nova vida / [...] Mas vamos logo ó telespectadores. /Apreciar as guerras e os crimes, /As mulheres nuas /E mais ainda, a destruição / Da Língua e da Família, / Nas novelas de televisão”. Não transigia no tocante a princípios éticos.
O despeito e a frustração revelam o traço do caráter, da perso-nalidade. Maculam a arte. Li alhures que pregaram um pincel embebido em tintas no rabo oscilante de um elefante, que alcançava uma tela. Era um fim de tarde em frente ao mar. Meros circuitos neuroniais estimulados pelo instinto e necessidade de alimento para o estômago. Intitularam o quadro "Pôr de Sol no Adriático". Não é o caso de Ernani Sátiro, evidentemente, com o seu preparo intelectual, a sua inteligência crítica: ele ia direto ao assunto. Outros que ponham a carapuça.
Aqui neste “Maio na Fazenda”, relembro sem despeito, mas com saudade o “amigo velho”. Estava no seu romance “O Quadro Negro” um inverno criador, como dizem os sertanejos, quando chove o suficiente para desenvolver as pastagens e as lavouras. E os relâmpagos do fim do período chuvoso são discretos, como fósforos acesos no horizonte. Andando pelas roças senti aquela alegria interior do campesino nessas circunstâncias. Estamos bem no corrente ano. A mata cresceu, avolumou-se, a rama fechou nas capoeiras, a gitirana, alimento de primeira pra vacaria, com flores brancas e roxas cobre as moitas, as cercas, sobe nas árvores, o milho bone-cou, o feijão canivetou, e já comemos verde.
“Grande é a vida”. Bem sentenciou o Amigo Velho, e para ele uma abraço de reconhecimento no seu valor, na sua franqueza, na sua coragem. Preparo-me para a viagem, o abraço do outro mundo.   ........  Lagoa de Baixo, 2008.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

notas da fazenda

Comentando Chico Pinto (blog do Tião 24-4-2012)
Oportuno o seu comentário, de modo especial pelas denúncias sobre o oportunismo do governo e dos que o criticam, neste momento que antecede eleições gerais no país. O que acontece é que o governo se tornou refém dos projetos sociais de redistribuição de renda, e inclusão a qualquer pre-texto para grupos selecionados da coletividade. Tudo em função do voto. Esta verdade foi tratada na literatura, no teatro do absurdo. Camus denun-ciou que a população estava reduzida a duas categorias de cidadãos: os que portavam distintivos do governo e os que não o usavam. No caso as "bol-sas", a "inclusão" e outros benefícios estendidos aos escolhidos, como seguro safra sem plantar um grão, etc. Assim podiam saber quem era a favor e contra o poder, desde que constasse ou não o seu nome como beneficiário dos mencionados projetos. A seca, no passado, representava a morte pela fome e hoje não assusta,  porque todos contam com rendi-mentos para o sustento da família. Pouco? É verdade. Mas o suficiente para recusarem a oferta de trabalho assalariado. O tempo é de ajuda, trabalho não, argumenta o professor Caetano secretário municipal em Sousa. Emprego somente com salário e direitos assegurados. Saúde e educação são garantidos na rede oficial de serviços. E a cidadania fala alto. "Não tem médico e remédio? Falta professor? Vou ao Ministério Público denunciar estes administradores corruptos." Hoje o povo grita sem medo, se orgulha como titular de direitos, não de obrigações. Algo assim como os adeptos dos evangélicos, antes analfabetos, que se orgulham da leitura da Bíblia sem entender o que lêem, porém na vaidade de manter um livro aberto e demonstrar que o pode ler. Mesmo sem alcançar a significação de palavras como "faraós", "profetas", etc, elas lhes falam de algo transcendental, histórico, dá prestígio falar neles, porque os seus familiares e conhecidos jamais o fizeram.

Comentando Tião (blog do Tião 26-4-2012)
Esse é o clima que rola aqui no sertão onde moro. Ninguém fala em chuva, em seca, em inverno. Dá pra aceditar que seca nunca existiu. Existia fome isto sim. Ontem cerca de oito horas da manhã, vi o operador de uma retro-escavadeira com vidros escuros, ar condicionado, cavando no leito de uma estrada em construção. O transito ficou parado por uns instantes e formou-se uma aglomeração de 32 homens que eu contei com cuidado, sem falar em algumas crianças e mulheres. Fácil de explicar o ajuntamento: todos estavam de barriga cheia beneficiários de cestas básicas, seguro safra, cuscuz, leite e pão que recebem todos os dias, e ainda a bolsa família a aposentadoria. Cidadania, porque emprego não existe, e hoje, os novos sujeitos sociais não discutem tarefas, mas salário e horas semanais, folgas, férias, vale refeição, fgts, etc. E somos a sexta economia do mundo e por consequência a sexta contribuição de juros para a banca financeira inter-nacional que arrecada e leva à inanição sociedades ditas evoluídas como a européia. Guardo receios quanto a nossa situação de país, de povo de nação. O medo que tenho fundamenta-se na advertência do Gonzagão no seu forró sensacional: "Doutor uma esmola dada ao homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.” Aí estará tudo perdido. E nada de chuva. Mas falam em dinheiro grosso para os “atingidos”, a começar com a novidade da “bolsa estiagem”. Essa gente sabe como tanger o problema com a barriga. Fracasso para o governo que virá, não para agora, esta é a grande tese motivadora das ações. Brecht na “ópera dos três vinténs” advertiu que qualquer discussão em nível popular, coletivo tem que começar com alimentação. A fome é má conselheira. O vício também, no caso vício de acreditar que “vem ajuda por aí”. Trabalho em obras públicas, quer de conservação, construção ou reconstrução, é coisa do passado. Vivemos a democracia das eleições. Por esta razão novas inclusões são anunciadas todos os dias. Dá pra pensar que chegará o dia da exclusão de alguns, porque todos forma incluídos. A qualquer pretexto.

NOTAS DA FAZENDA


Comentando Chico Pinto (blog do Tião 24-4-2012)
Oportuno o seu comentário, de modo especial pelas denúncias sobre o oportunismo do governo e dos que o criticam, neste momento que antecede eleições gerais no país. O que acontece é que o governo se tornou refém dos projetos sociais de redistribuição de renda, e inclusão a qualquer pre-texto para grupos selecionados da coletividade. Tudo em função do voto. Esta verdade foi tratada na literatura, no teatro do absurdo. Camus denun-ciou que a população estava reduzida a duas categorias de cidadãos: os que portavam distintivos do governo e os que não o usavam. No caso as "bol-sas", a "inclusão" e outros benefícios estendidos aos escolhidos, como seguro safra sem plantar um grão, etc. Assim podiam saber quem era a favor e contra o poder, desde que constasse ou não o seu nome como beneficiário dos mencionados projetos. A seca, no passado, representava a morte pela fome e hoje não assusta,  porque todos contam com rendi-mentos para o sustento da família. Pouco? É verdade. Mas o suficiente para recusarem a oferta de trabalho assalariado. O tempo é de ajuda, trabalho não, argumenta o professor Caetano secretário municipal em Sousa. Emprego somente com salário e direitos assegurados. Saúde e educação são garantidos na rede oficial de serviços. E a cidadania fala alto. "Não tem médico e remédio? Falta professor? Vou ao Ministério Público denunciar estes administradores corruptos." Hoje o povo grita sem medo, se orgulha como titular de direitos, não de obrigações. Algo assim como os adeptos dos evangélicos, antes analfabetos, que se orgulham da leitura da Bíblia sem entender o que lêem, porém na vaidade de manter um livro aberto e demonstrar que o pode ler. Mesmo sem alcançar a significação de palavras como "faraós", "profetas", etc, elas lhes falam de algo transcendental, histórico, dá prestígio falar neles, porque os seus familiares e conhecidos jamais o fizeram.

Comentando Tião (blog do Tião 26-4-2012)
Esse é o clima que rola aqui no sertão onde moro. Ninguém fala em chuva, em seca, em inverno. Dá pra aceditar que seca nunca existiu. Existia fome isto sim. Ontem cerca de oito horas da manhã, vi o operador de uma retro-escavadeira com vidros escuros, ar condicionado, cavando no leito de uma estrada em construção. O transito ficou parado por uns instantes e formou-se uma aglomeração de 32 homens que eu contei com cuidado, sem falar em algumas crianças e mulheres. Fácil de explicar o ajuntamento: todos estavam de barriga cheia beneficiários de cestas básicas, seguro safra, cuscuz, leite e pão que recebem todos os dias, e ainda a bolsa família a aposentadoria. Cidadania, porque emprego não existe, e hoje, os novos sujeitos sociais não discutem tarefas, mas salário e horas semanais, folgas, férias, vale refeição, fgts, etc. E somos a sexta economia do mundo e por consequência a sexta contribuição de juros para a banca financeira inter-nacional que arrecada e leva à inanição sociedades ditas evoluídas como a européia. Guardo receios quanto a nossa situação de país, de povo de nação. O medo que tenho fundamenta-se na advertência do Gonzagão no seu forró sensacional: "Doutor uma esmola dada ao homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.” Aí estará tudo perdido. E nada de chuva. Mas falam em dinheiro grosso para os “atingidos”, a começar com a novidade da “bolsa estiagem”. Essa gente sabe como tanger o problema com a barriga. Fracasso para o governo que virá, não para agora, esta é a grande tese motivadora das ações. Brecht na “ópera dos três vinténs” advertiu que qualquer discussão em nível popular, coletivo tem que começar com alimentação. A fome é má conselheira. O vício também, no caso vício de acreditar que “vem ajuda por aí”. Trabalho em obras públicas, quer de conservação, construção ou reconstrução, é coisa do passado. Vivemos a democracia das eleições. Por esta razão novas inclusões são anunciadas todos os dias. Dá pra pensar que chegará o dia da exclusão de alguns, porque todos forma incluídos. A qualquer pretexto.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

NOTAS DA FAZENDA

Sou sertanejo de nascimento. Vim ao mundo no sítio Gato Preto, hoje bairro chique em Sousa, no dia 23 de junho de 1934 (quase um século, mas estou bem, por enquanto) e o parto de minha mãe foi assistido pelo grande e inesquecível médico sousense Dr. Zezé Sarmento, pai de Gilberto que foi prefeito e deputado. Como dizia, sou sertanejo, e me criei embalado pela música popular executada no nosso meio em sanfona, saxofone, violão, zabumba e pandeiro: o choro, a valsa, o baião, o xote e outras, de melodia e ritmo românticos e festeiros. Não me envergonho por isso. Falo a propósito de reportagem que vi na tv sobre estes instrumentos musicais e sobre profissionais peritos na sua execução: me deliciei com Gonzagão, Dominguinhos, Si-vuca.  De Sousa que a memória me estimula, falo do passado com Zé Fontes e Chico Malota, Zé Costa e Dedé de Félix. Nomes inesquecíveis. Escutei outros musicistas, mas deixei-os de lado: sopranos chilreando árias de música erudita, barítonos e baixos trovejando melodramas, “spalas” silvando estertores de Paga-nini. Todos valeram pela performance e consagração que os fazem lembrados. Mas fico mesmo com Asa Branca, Feira do Mangaio, Aconchego. E os meus saxofonistas e sanfoneiros. Exceção faço para as modinhas de Carlos Gomes.

*          * 
Vi algo absolutamente ridículo e cretino na pessoa de um individuo que participava de uma entrevista coletiva na programação da TV Câmara. Apelidava-se "Rapadura Xique Chico", as roupas e enfeites que usava tornavam impossível identificá-lo como representante ou integrante de uma so-ciedade ou situação nacional qualquer. Restou de sua apre-sentação somente a idiotia de sua pretensão, a estreiteza de sua imaginação, a começar com o nome, o traje e as palavras jogadas na cena no intuito de improvisação poética, criativa que honram a cultura nordestina e delas sequer ele se apro-ximou. Um enérgumeno, um estelionatário na atividade cultural da sociedade.
 
Sou sertanejo nordestino, sousense, como sabem os meus conterrâneos. Do Maranhão a Alagoas, Baía, pervaguei cidades e áreas rurais. Conheço grupos sociais que guardam ca-racterísticas culturais que os identificam, como autóctones, e o traje é verdadeiramente próprio e distinto de outras sociedades e regiões geográficas. Sei o que é nordestino na sua expressão mais viva nos costumes, e denuncio como ato de má fé e pouca inteligência, a postura dos que tentam reduzir a modelos ex-travagantes, a simples palhaçadas, a arte de viver e de repre-sentar o que nos distingue como fonte da cultura nacional, caracteristica, autêntica, originária. Entendo que o destino da produção cultural de qualquer povo há de ser o de constituir-se em expressão para o debate e discussão dos problemas nacionais. Assim achava Álvaro Lins. Buscam eles e reclamam o modelo da "Inclusão"? Uma clinica psiquiátrica poderá torná-los aptos para a convivência social.
Torno claro, numa tomada de posição, que entendo “a formação e o desenvolvimento da literatura (assim os padrões e paradigmas culturais) como parte do processo histórico total da sociedade. A essência e o valor estético das obras literárias, e também sua ação, é parte daquele processo geral e unitário pelo qual o homem se apropria do mundo mediante sua consciência.” (Lukács. Critica). Daí não confundir evolução e desenvolvimento no campo da cultura, da arte, com o espalhafato chocarreiro.............
 

quarta-feira, 28 de março de 2012



A VOLTA – O CANGAÇO – OUTRA VIDA
(diário da fazenda)

Nos últimos trinta anos que voltei a viver por aqui, jamais me afastei deste lugar por mais de que quinze dias. Antes, essa ausência, nos tempos de colégio e Faculdade chegava a três meses por semestre. Preso hoje aos afazeres assumidos com a nova dedicação a atividades rurais, o isolamento na fazenda permite tempo e ambiente ideais para leituras e reflexões de cunho político e estético-literário ─ renascimento do costume e do dever do estudo vivido na juventude. Preguiça, enfim. Outra vida.
Eis que, empurrado por circunstâncias presumíveis, mas não pro-gramadas, fui levado a ocupar Cadeira, na Academia Paraibana de Letras. Muita festa, reuniões e reencontro com familiares e amigos, passado tanto tempo da antiga convivência! Uma honra inegável para mim a esta altura da vida, que nada almejava além de terminar de criar filhos e netos, visitar amigos esporadicamente, olhar para o céu – este salutar hábito sertanejo.
Não faço charme, mas vivia feliz, o quanto podemos. Então tudo desandou. Ligeiros incômodos de saúde e aconselhamento levaram-me concomitantemente a médicos que me submeteram a cirurgias indicadas. Recuperei a visão comprometida por cataratas, e regularizei o fluxo uri-nário com a desobstrução da uretra. Renovo os meus agradecimentos aos médicos Astênio Fernandes e Georges Guedes Pereira que me assistiram. O primeiro, sobrinho do homem público e escritor areiense José Américo de Almeida, e o último, neto do cordial amigo Atílio Rota, um paraibano benemérito. E tudo terminou em festas, comemorações, que a medicina, hoje, nos desobriga de estirados jejuns. Aí se foram mais de trinta dias.
*   *   *
Aproveitando o tempo e atento às questões relativas à saúde, em oportunidade inesperada, revi o Recife de que me afastara há quarenta e cinco anos, desde a minha colação de grau na Faculdade de Direito em 1964. Para explicar e contar sobre esse reencontro, recorro ao pensamento de dois paraibanos, em frases famosas que criaram sobre esta circunstância: José Américo de Almeida e João Lelis de Luna Freire. Pra que o latim e o francês, se a nossa língua dita “inculta e bela” e os nossos pensadores provincianos nos satisfazem?
Dói falar no Recife que encontrei. O fenômeno da urbanização até onde o conheço, transformou as pessoas de posses, na sua maioria, em seres praieiros, estejam onde estiverem. Constato tal vocação em João Pessoa e no Recife – cidades de minha intimidade nas suas ruas e praças, nos seus ambientes de reunião e congraçamento da população, hoje transmudados.
A Avenida Guararapes e a Praça Pedro Américo, outras áreas públicas preferidas pela população, restam quase esquecidas, os espaços ocupados por vendedores ambulantes de quinquilharias. Perigosamente desertas à noite. Pouco ou nada sabem do poeta Carlos Pena Filho que deixou gravado em letras de bronze versos antológicos no famoso Bar Savoy, e de Paulinho Soares memorialista de uma época de dourada e boêmia vida social e estudantil paraibana, que ali se acantonava na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, como cantam os vigários católicos na celebração de casamentos.
Rememoro do intelectual João Lelis: “Os lugares que foram teatro do nosso passado também envelhecem... Nunca voltes a visitar os lugares onde fostes feliz no passado. É sempre decepcionante essa espécie de recor-dação, sobretudo se ela prende-se ao coração”. E de José Américo com a enfatuação de quem declara uma grande verdade: “Voltar é uma forma de renascer. Ninguém se perde na volta”.
Qual a minha opção sentencial? Por onde navega a minha memória, o que busca a minha inquietação na alegria verdadeira da volta, do reencontro?
*   *   *
 Não tinha realizado uma viagem, o objetivo era apenas um curto afastamento para um breve regresso, como ficara entendido. Mas o tempo estirou-se inesperadamente. O olhar curioso e afetuoso do pessoal de tra-balho me animava na retomada da luta conhecida, no meu regresso. Avaliavam, analisavam-me, no hábito milenar dos que vivem e se rela-cionam de perto com a natureza.
Relatórios informais sobre a situação do rebanho, reparo e con-servação de instalações e prejuízos indesejáveis, mas inevitáveis, no limite do plausível. Cercas reparadas, morte de borregos, mais um ataque letal de uma cascavel erada, que mora num dos aglomerados de rochas graníticas na chamada “Manga das Lages”. Na ida para o sítio, para as terras baixas ocupadas pelo verde capim de pisoteio e de corte, que enchem a minha vista e a barriga do gado, vejo rastos conhecidos de reses e de animais: o risco do rabo do tejo, as pegadas dos esquivos gatos do mato e dos guarás quase em extinção. Na cabeça de um mourão num terreno plano, avisto um caboré que em gerações sucessivas, vira e revira a cabeça, vigiando com os grandes olhos redondos, o mesmo buraco onde guardam os seus ovos, cria os filhotes.
*   *   *
A Academia, a Capital, as Solenidades ficaram para trás. A vida agora é outra. Aliás, volto à vida de antes. Amanhã tenho viagem marcada para renovada visita e café com Neo Mamede, no Pau Ferrado, ele tio de Jarda, viúva do meu conterrâneo sousense de Nazarezinho, cangaceiro Chico Pereira. Seguirei em companhia do seu sobrinho, meu amigo Valdemar, primo legítimo de Jarda. Por sinal, daqui de onde moro, avisto cerca de uma hora a cavalo, a furna de Rio Preto, outro cangaceiro, que assombrou Pombal e a redondeza, e em menos de hora e meia chego à antiga morada de Jarda e Chico Pereira, pais do imortal filósofo e romancista Chico Pereira da nossa APL, desaparecido há poucos anos. Sertão valente e brioso.
Uma alegria, pisar no chão da aventurosa e romântica vida sertaneja das primeiras décadas do século XX. Quero rever e agora fotografar pa-redes antigas, riscadas de balas, figuras avoengas emolduradas, penduradas nas salas e quartos ao lado de santos de devoção, portas marcadas a fogo com o ferro do dono da fazenda, pegar em armamento de outros tempos, conversar de outros costumes, que ignoraram a dissimulação, mas usavam lealmente estratégias de luta no ataque e na defesa.
 Ah mundão! Outra vida. Repito.

.......Sertão impaciente esperando o novo inverno. Novembro de 2009. 2012 fraco de chuvas inquieta sertanejos.














Jornal O NORTE  07 de junho de 2008

Gonzaga Rodrigues


Um Eilzo de dar inveja

Quando Eilzo Matos se arrancou da mazorca política e foi retomar os livros no interior, despertou-me a inveja que uns poucos amigos não conseguiram em demanda de pos-graduação no exterior. Eilzo sempre foi um homem de letras, circunstancialmente desviado para uma militância política que nada tinha a ver com a que a leitura do mundo lhe fizera a cabeça. Provou isso o tempo, pois, mais gasto que tivesse sido em ascensões eventuais, em arenas de alienados e de fisiológicos, nunca perdeu a direção comprometida com seus verdadeiros ideais políticos.
Tanto é assim que, de vez em quando sai de armadura e lança em punho, nem tanto por acreditar em Norberto Bobbio, mas por nunca ter deixado de ladear o Dom Quixote.
Onde Eilzo me pareceu sentir-se melhor: nas secretarias de Estado que aquinhoou com propósitos que chego até a chamar de cívicos ou no expediente das idéias e das letras em parcerias felizes (pela emoção e pelos resultados) com Virginius da Gama e Melo e companhia?
Sua presença, ou melhor, sua expressão, sempre foi cultural. É flagrada sem favor na História Crítica da Literatura Paraibana, de Gemy Cândido e, mesmo de forma somítica, na coletânea de Autores Paraibanos que a Secretaria de Educação fez organizar e editar em 2005.
É o que me ocorre vendo, de passagem, um descarte de Eilzo ao retorno urbano: "Tentei retomar antigos contatos em João Pessoa. Comprei apartamento, botei os filhos (mais novos) para estudar, o que asseguraria a minha presença perto deles. Mas não deu. Chegou a idade. Um atropelo. Acontece com quem vai na conversa dos outros: / Você está velho e longe da assistência. Pode acontecer um troço".
E voltou a Souza. Lá "não existe a solidão escondida na multidão. Sempre aparece um conhecido e as ruas nos são familiares, notamos modificações na urbanização, nas linhas da arquitetura dos prédios, nas pessoas. "Conhecemos até os donos dos bichos que freqüentam as ruas: O gato de D. Amália. O cachorro do caçador Zezito de João Domingos. Dizem que ele é perigoso, pega guiné e galinha nos terreiros. / Estamos em casa, como se diz".
É este o Eilzo da minha eleição. O que sabe, como ninguém, perceber o sentido político da vida, aconteça numa conversa de curral ou numa rebelião de faculdade.
Além do mais é corajoso. Não liga, como eu ligo, estar perto ou longe da ausculta médica mais famosa.
E diz bonito: "Para mim, a esta altura da vida é melhor ficar por aqui. Hospital não salva ninguém".
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Jornal O NORTE  07 de junho de 2008

Gonzaga Rodrigues


Um Eilzo de dar inveja

Quando Eilzo Matos se arrancou da mazorca política e foi retomar os livros no interior, despertou-me a inveja que uns poucos amigos não conseguiram em demanda de pos-graduação no exterior. Eilzo sempre foi um homem de letras, circunstancialmente desviado para uma militância política que nada tinha a ver com a que a leitura do mundo lhe fizera a cabeça. Provou isso o tempo, pois, mais gasto que tivesse sido em ascensões eventuais, em arenas de alienados e de fisiológicos, nunca perdeu a direção comprometida com seus verdadeiros ideais políticos.
Tanto é assim que, de vez em quando sai de armadura e lança em punho, nem tanto por acreditar em Norberto Bobbio, mas por nunca ter deixado de ladear o Dom Quixote.
Onde Eilzo me pareceu sentir-se melhor: nas secretarias de Estado que aquinhoou com propósitos que chego até a chamar de cívicos ou no expediente das idéias e das letras em parcerias felizes (pela emoção e pelos resultados) com Virginius da Gama e Melo e companhia?
Sua presença, ou melhor, sua expressão, sempre foi cultural. É flagrada sem favor na História Crítica da Literatura Paraibana, de Gemy Cândido e, mesmo de forma somítica, na coletânea de Autores Paraibanos que a Secretaria de Educação fez organizar e editar em 2005.
É o que me ocorre vendo, de passagem, um descarte de Eilzo ao retorno urbano: "Tentei retomar antigos contatos em João Pessoa. Comprei apartamento, botei os filhos (mais novos) para estudar, o que asseguraria a minha presença perto deles. Mas não deu. Chegou a idade. Um atropelo. Acontece com quem vai na conversa dos outros: / Você está velho e longe da assistência. Pode acontecer um troço".
E voltou a Souza. Lá "não existe a solidão escondida na multidão. Sempre aparece um conhecido e as ruas nos são familiares, notamos modificações na urbanização, nas linhas da arquitetura dos prédios, nas pessoas. "Conhecemos até os donos dos bichos que freqüentam as ruas: O gato de D. Amália. O cachorro do caçador Zezito de João Domingos. Dizem que ele é perigoso, pega guiné e galinha nos terreiros. / Estamos em casa, como se diz".
É este o Eilzo da minha eleição. O que sabe, como ninguém, perceber o sentido político da vida, aconteça numa conversa de curral ou numa rebelião de faculdade.
Além do mais é corajoso. Não liga, como eu ligo, estar perto ou longe da ausculta médica mais famosa.
E diz bonito: "Para mim, a esta altura da vida é melhor ficar por aqui. Hospital não salva ninguém".
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sexta-feira, 16 de março de 2012



Governistas e oposicionistas se unem para abafar escândalos


Em dezembro do ano passado, imensa mobilização nas redes sociais converteu o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, no maior best-seller político do século XXI no Brasil, com mais de cem mil exemplares vendidos – até a última divulgação da tiragem, feita há mais ou menos um mês. Esse êxito editorial foi logrado sem a menor participação da grande imprensa.


O livro apresentou provas irrefutáveis de que o ex-governador José Serra, parentes e amigos receberam verdadeiras fortunas do exterior, dinheiro que jamais teve comprovação de origem. Diante disso, o deputado comunista Protógenes Queiroz (SP) formulou um requerimento de CPI que obteve mais assinaturas do que o mínimo exigido. Esperava-se que fosse instalada logo após o fim do recesso parlamentar de fim de ano.


À época, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), dera declarações ambíguas sobre a instalação da CPI e, na volta dos trabalhos do Congresso, continuou na mesma toada. O tempo foi passando, já vai para um mês que o Congresso retomou seus trabalhos e a CPI da Privataria vai tendo o mesmo destino da CPI do Banestado, em 2003: o abafamento.


Ninguém nega que aquela CPI foi abafada por governistas e oposicionistas. O máximo que os governistas dizem é que estávamos no primeiro ano do governo Lula, quando o país vivia uma crise econômica muito séria após o desastre FHC e o governo ainda estava sendo ”testado” pela comunidade financeira internacional, de maneira que não seria interesse do país estabelecer uma “guerra política”.


Agora, como não há desculpa para não instalar a CPI da Privataria, no Congresso não se fala mais do assunto. Só o autor do requerimento de investigação e alguns raros deputados ainda tentam manter o assunto vivo.


Durante a semana que finda, mais um acordão de impunidade uniu petistas, tucanos, demos e companhia limitada. Veio à tona que o senador pelo DEM goiano, Demóstenes Torres, durante seis meses do ano passado conversou por telefone duas vezes por dia, todo dia, com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, mais conhecido como Carlinhos Cachoeira, além de ter sido presenteado pelo contraventor com uma cozinha importada no valor de 30 mil dólares.


O nome de Carlinhos Cachoeira ganhou repercussão nacional em 2004, após a divulgação de um vídeo que o flagrou oferecendo propina a Waldomiro Diniz, o que gerou a CPI dos Correios, que seria o começo do ataque da imprensa ao governo Lula, que duraria até o fim do seu segundo mandato.


Em 29 de fevereiro deste ano, Cachoeira foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, que desarticulou organização que explorava máquinas de caça-níqueis no Estado de Goiás. A notícia de que Demóstenes conversava duas vezes por dia, todo dia, com o senador do DEM goiano foi minimizada ou ocultada pela mídia oposicionista (Veja, Folha, Estadão e Globo).


Não satisfeito com o acobertamento da mídia, Demóstenes, “indignado” por acharem estranho que um senador, durante longo período, conversasse por telefone duas vezes ao dia, todo dia, com um criminoso e recebesse dele presentes caros, foi à tribuna do Senado manifestar a sua “indignação”. A reação esperável de seus pares seria que o interrogassem duramente, mas nem mesmo os seus adversários fizeram isso.


O pronunciamento de Demóstenes recebeu 44 apartes de representantes de todas as bancadas, do DEM ao PT. Os senadores Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos, Romero Jucá, Lobão Filho, Aécio Neves, Aloysio Nunes Ferreira, Alfredo Nascimento, Eduardo Suplicy e Marta Suplicy, entre muitos outros, derramaram-se em elogios ao colega e o disseram “injustiçado”.


A conclusão que se impõe é a de que governistas e oposicionistas podem ter feito um acordo de leniência mútua, explicável, em parte, pelo ano eleitoral. A CPI da Privataria, por exemplo, parece que ficará como uma carta na manga dos governistas caso a oposição decida explorar o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, que deverá ocorrer ainda neste semestre.


O mais interessante, para usar um eufemismo, é que simpatizantes do governo e da oposição se engalfinham na internet todo dia e, enquanto isso, os políticos das duas vertentes se lambem, protegem-se, elogiam-se, acobertam-se mutuamente. Para os que temos simpatias políticas e nada mais, talvez seja hora de começarmos a entender que estamos fazendo papéis de idiotas.  -

Saiu no Blog da Cidadania, do Edu Guimarães