quinta-feira, 16 de junho de 2011

A SECA E O NORDESTE

A SECA E O NORDESTE
(Notas da Fazenda)
Desde o Descobrimento até a Década Cinqüenta do século passado, a seca como fenômeno climático extrapolando conseqüências dolorosas para a população nordestina, fazia-se sentir na tragédia dos retirantes famintos, vagando por estradas ensolaradas e poeirentas, do rebanho animal reduzido a esqueletos, das roças calcinadas. A literatura e as artes plásticas fixaram ícones na memória nacional. Foi o tempo em que nos bastávamos a nós mesmos. A flora provia a nossa saúde. Eram precárias as estradas de ro-dagem, aqui produzíamos o que comíamos; a matéria para a fabricação de utensílios e para a construção civil: barro, areia, cal, cimento e madeira, eram fruto de reservas locais. O mundo cresceu, o país disparou na frente dos demais do nosso e de outros continentes. Tudo sob a proteção do Se-nhor conduzido por prelados paramentados sob o pálio, em procissão sob os acordes da banda de música, do cântico das irmandades religiosas, dos fiéis. Infelizmente pouco vigilantes e atentos às questões terrenas.

Tudo funcionava maravilhosamente para alguns, e aqui chegamos com identidade de Estado, de conglomerado de reserva territorial, de re-cursos minerais, florestais verdadeiramente assombrosos, poderosas organi-zações comerciais já invadindo e disputando mercados. Ledo engano. A Igreja Católica – base da ordem religiosa e social, naturalmente mudou conforme a nova realidade; a CNBB (Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil) através de pastorais dialoga com a população. Cresceu a dissidência luterana e igrejas de nomes arrevesados são instaladas como balcões de negócio, disputam com o Vaticano e as bolsas de valores a propriedade de bens e interesses financeiros, que jogam o Evangelho e a Fé na lata do lixo.

Tudo mudou, repito. A urbanização verificada na Europa ainda na Idade Média, chegou ao Nordeste na segunda metade do século passado, esbanjando e desfilando tecnologia de ponta até nos arrabaldes, hoje ditos comunidades. Desenvolvimento, progresso, bem estar geral. Mas o diabo sempre aparece sem ser convidado  já se anunciava, bagunçando o cenário, espertos uns se apropriavam vantajosamente de maiores fatias do bolo, um produto do trabalho geral e de cada um. Em 2010 os juros abo-canharam 45% do total do orçamento da União, a dívida pública que al-cança a assombrosa conta de mais de 3 trilhões, é alimentada na taxa Selic que beneficia os especuladores e prejudica o país. A LPA (Lei de Proteção a Agiotagem), chamada LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) assegura o pagamento dos juros tirados por dentro. Saúde, Segurança, Educação ficam pra depois.

Basta de catastrofismo! Eles contra-argumentam, e divulgam notícias econômicas encomendadas, de cunho técnico-científico O país, no consen-so apurado em grades e tabelas escolhidas, revela um crescimento nunca visto com a transferência de renda e a criação de um mercado interno, a ascensão social. Legislação de cunho desenvolvimentista-sustentável, e monocordiamente capitalista, foi editada, o governo aplicou-se, na busca do voto, para assegurar a posse da chave do cofre, assumindo compro-missos. Em épocas distintas exportamos matéria prima, abrigamos pri-vilegiadamente complexos industriais monopolistas, para usar a mão de obra barata, passamos a produzir equipamentos e artefatos eletrônicos, em escala, atendendo determinações vindas de fora, da gerência geral do sistema isentado de obrigações fiscais que chegavam até a remessa dos seus lucros. O país cresceu em números e nós também. Esta era e é a nossa im-pressão. Chegamos ao atualíssimo sistema financeiro global, fundado na crença do neoliberalismo que governa o planeta, anunciado por Marx como etapa superior do capitalismo. Falar em Marx, todavia, é dinossauriano, rasgam as guitarras acadêmicas. E transferem a contenda para o fun-damentalismo religioso: islamismo versus cristianismo. E exageram nos modelos exibidos subliminarmente.

Na verdade existiram Robin Hood, Lampião e Fernandinho Beira Mar. Nada têm os ricos com isto. Sempre conviveram. O problema para uns consiste em assegurar a governabilidade. Guerra Civil como a que en-frentamos são inevitáveis, todos os países viveram e viverão. Assim é o sistema. Cabe a cada um descobrir a maneira de se safar. Milhares são no nosso país situações como a do “Morro do Alemão” e as tropas das polícias militar, civil, federal, bombeiros, Exército, Marinha, Aeronáutica e Força Nacional não atendem ações como a que ali foi empreendida. A nossa situação semelha a da vizinha Colômbia onde as FARC têm o domínio de extensas áreas no território nacional, e ali é proibida a presença do Estado através dos seus agentes. A seca é memória extinta. ...................................

A MACROECONOMIA DE MANTEGA

Notas da Fazenda

A MACROECONOMIA DE MANTEGA

Sou assinante da revista “Brasileiros”, publicada certamente para elevar o astral da ainda-mais-do-que-nunca-sofrida-classe média, que coo-nesta e sustenta os ganhos de Palocci, Delúbio e outros inominados zíngaros petistas, e brasileiros que surfam na crista da onda financeira global, ascendendo alguns a um lugar entre os mais ricos do planeta. Vem de longe esta síndrome de dependência de mecenas, de letrados e líderes de ocasião. Dá pra encher mesmo o coração de delíquios de amoroso patrio-tismo. O número 46 que acabo de receber destaca em “seminário” a gloriosa escalada do crescimento dito desenvolvimento sustentável do nosso país, antes ignorado hoje proeminente, porque “o crescimento dos últimos anos não gera desequilíbrio macroeconômico”, na afirmação do ministro Mantega. Aliás, vê-se muito bem que esse cidadão não influi na política econômica do país, e pouco entende do ramo. Valem e impres-sionam mesmo as decisões determinativas, pretensamente regulatórias do Banco Central, que lhe é submetido hierarquicamente, mas não o escuta. Só para lembrar, o presidente do BC no Governo Lula, era presidente de um banco nos EUA, lá morava. Sem nenhuma vinculação ou militância po-lítico-partidária foi eleito deputado federal pela oposição no Brasil. O Consenso de Davos (o de Washington trouxe FHC), que os monitora, decidiu que ele renunciasse ao seu mandato e assumisse a presidência do Banco Central, o que ele fez, e o metalúrgico presidente prontamente o aceitou como tal. E lhe entregou o poder. Ficou “o cara” no jogo-faz-de-conta-da-cidadania, das relações internacionais multilaterais,etc.etc.

Na linha destas minhas considerações, sem títulos acadêmicos ou burocráticos, nem tutela e representação empresarial, arrisco achegas de preocupações que destroem os sonhos de um pobre nordestino, sofrendo como eu o doce exílio campesino, assustado com o noticiário dos jornais das redes de televisão, perdendo noites de sono. Pois bem, ex-ministros, mega-empresários, tecnocratas (sempre comprometidos) deitaram falação ex-catedra. O meu amigo do passado Maílson da Nóbrega (tempo de funcionário do Banco do Brasil, colaborador da revista sousense “Letras do Sertão”, com o artigo “Petróleo” no número 26 de dezembro de 1963) afirma que “O país se tornou previsível...”, fruto de uma luta heróica e sem tréguas para conquistarmos através da Lei 2004 a defesa e propriedade do nosso petróleo, derrotando os trustes que ambicionavam dele se apropriar, como ele escreveu. Vale a pena conferir. O jovem Joesley Batista, presidente da JBS (desconheço do que cuida), com fotografia e tudo, certamente com acento de tenor na voz explicita: “A combinação do capitalismo com a democracia é algo muito poderoso” e brinda com champanhota como noticiaria o saudoso Ibrahim Sued. Falou muita gente.

Agora vamos para a ignorância, o despreparo intelectual de minha parte. A reportagem seduz na policromia da impressão em papel de fi-níssima qualidade, beleza das fotografias, das ilustrações, da galera exul-tante. Nada de preocupação. Os suplementares estímulos gráfico-esta-tísticos são mostrados para afastar os incrédulos. Tudo está ali: dados econômico-fiscais, cambiais, tecnologia, produtividade, legislação, arti-culações gerenciais, de agrupamentos, política, religião, agro-negócio, comodities, etc  o Mercado enfim. Tudo lhe favorece. Uma alegria geral como só vejo por aqui nos bons invernos, na corrida do peixe, no coletivismo comunitário, na gratuidade na oferta. Diabo que vivemos no mesmo mundo, somos filhos do mesmo pai e diferenças nos separam! Não nos entendemos, tudo nos afasta. Uma nova Babel?

Entrego-me a raciocínios e rememorações. Ocorre-me o montante da dívida nacional recebida por Lula em torno de 600 bilhões e passada para Dilma aproximando-se dos 3 trilhões de reais, pagando os juros mais caros do mundo (uns pagam entre 1% , 3%, 5% e nós brasileiros pagamos mais de 10% a.a.) chegando a 200 bilhões cada ano. Daí o apagão cultural (patentes) e educacional comprovados na qualidade do ensino, na falta de professores, na carência de infra-estrutura para efetivação da adminis-tração, a absoluta miséria que domina a saúde pública, a destruição do meio ambiente, a queima da reserva florestal, o esgotamento das potencialidades agrícolas e minerais, a corrupção irrefreável.

O clima de guerra civil que domina a cena brasileira, numa situação semelhante a que vive a vizinha Colômbia com as FARC, que subjugam espaços inteiros no território do país, onde não podem chegar ações go-vernamentais; a criminalidade entre nós que se manifesta incontrola-damente no interior e nas capitais, nas menores cidades e nos campos, alcança favelas miseráveis e condomínios milionários fechados. Comprovo tal afirmação com a operação da Favela do Alemão (uma entre muitas dezenas existentes no Rio de Janeiro e milhares e milhares no país) que exigiu a formação de pessoal, meios e armamentos modernos das polícias federal, militar e civil, bombeiros, do Exército, da Marinha e da Ae-ronáutica, da Força Nacional, numa operação só vista nas guerras do Afeganistão, do Iraque, para resultado de pequena significação. E o restante do país, ficará à mercê da indiferença ou total impotência do governo?

Para finalizar, indago: é esse o crescimento que “não gera dese-quilíbrio macroeco-nômico” de que fala Mantega? E esse é o poderoso resultado da “combinação do capitalismo com a democracia”, a que alude Joesley Batista?..............

HOSANAS AO AMIGO VELHO ERNANI SÁTIRO

HOSANAS AO AMIGO VELHO ERNANI SÁTIRO
Leitura atrasada d "O Canto do Retardatário" do contra-parente (explicarei a seguir) escritor e político Ernani Satyro. Eis uma pessoa genuína, vencedora. De sólida formação intelectual, corajoso na defesa de suas idéias e convicções. Legendário inegavelmente, na mais ampla acep-ção do termo. E peremptório isto sim, casmurral. Reacionário diplomado. Não fazia concessões. Vasta é a sua produção em títulos que constam de “Plano Inicial das Obras Completas de Ernani Sátriro”, elaborado pela FUNES (fundação que traz o seu nome). Romances e ensaios, versos, crônicas de sabor jornalístico, discursos, conferências. Presença escolhida nos "poetas bissextos" de Manoel Bandeira, transcrito, biografado e elogiado. Ali está o João Guimarães Rosa, do “Magma”. Uma honra para as letras tabajaras. Seus versos muito pessoais, também parafraseiam, falam nas letras e autores clássicos (Camões, Augusto, Pessoa), no amor, na tentativa utópica de reconstrução do mundo, na administração pública, na tradição da chefia familiar coronelista na política, na saudade. "Procurei acabar a fundura do mar [...] cadeiras na calçada". Mas reconhece: "Todos nós, afinal, somos ciganos [...] Na entrada do porto tem uma pedra [...] Do meu amor em Olinda [...] Recife, poema e chaga do Brasil".
Ah! O Recife que reconstruiu a minha vida, que renasceu no exílio campestre – somente pensando, refletindo, vivenciando a vida mesmo, que é o que vale. Algo do amigo velho na minha estrada do devir. Na esquerda ou na direita, no amor e na guerra. Ele numa modéstia que não lhe cabia, afirmou que, a sua estrela se não era brilhante era constante. Tudo em capítulos precisos: “Canto da Inquietação de das Cismas”, “Canto do Amor e da Mulher”, Canto da Solidão e da Morte”, “Canto dos Poemas de Circunstância”.
Ernani era filho de Miguel Sátiro e de Capitulina, que enviuvara de Inocêncio Leite, e era mãe de Firmino, sobrinho de minha avó Chiquinha, primo do meu pai, meu primo-segundo e padrinho de batismo. Era, por-tanto, nosso "contraprimo". Nos desentendemos na política. Caprichos do meu lado e do dele também. Mas não traía, só perseguia. Resisiti. Governador do Estado ele me combateu e derrotou numa eleição para deputado estadual. Fui reeleito no pleito seguinte.

A arte não é a/o que satisfaz o ego. Pelo contrário, é a/o que desperta (ofende) a consciência crítica, circula, viaja no espaço e no tempo. Des-cobre, identifica e cria mundos. O momento atual é ativamente dinânico - induz profissionalismo artesanal, busca e descoberta de materiais, ins-talações. Escreveu num poema: “Vamos todos viver a nova vida / [...] Mas vamos logo ó telespectadores. /Apreciar as guerras e os crimes, /As mulheres nuas /E mais ainda, a destruição / Da Língua e da Família, / Nas novelas de televisão”.

O despeito e a frustração revelam o traço do caráter, da perso-nalidade. Maculam a arte. Li alhures que pregaram um pincel embebido em tintas no rabo oscilante de um elefante, que alcançava uma tela. Era um fim de tarde em frente ao mar. Meros circuitos neuroniais estimulados pelo instinto e necessidade de alimento para o estômago. Intitularam o quadro "Pôr de Sol no Adriático". Não é o caso de Ernani Sátiro, evidentemente. Outros que ponham a carapuça.
Aqui neste “Maio na Fazenda”, relembro sem despeito, mas com saudade o “amigo velho”. Estava no seu romance “O Quadro Negro” um inverno criador, como dizem os sertanejos, quando chove o suficiente para desenvolver as pastagens e as lavouras. E os relâmpagos do fim do período chuvoso são discretos, com fósforos acesos no horizonte. Andando pelas roças senti aquela alegria interior do campesino nessas circunstâncias. Estamos bem no corrente ano. A mata cresceu, avolumou-se, a rama fechou nas capoeiras, a gitirana, alimento de primeira pra vacaria, com flores brancas e roxas cobre as moitas, as cercas, sobe nas árvores, o milho bone-cou, o feijão canivetou, e já comemos verde.

“Grande é a vida”. Bem sentenciou o Amigo Velho, e para ele uma abraço de reconhecimento no seu valor, na sua coragem. .........................

TRECHOS DO LIVRO “FACULDADE DE DIREITO DE SOUSA, DA CRIAÇÃO DO CURSO AO CAMPUS VI” AUTOR EILZO MATOS.

TRECHOS DO LIVRO “FACULDADE DE DIREITO DE SOUSA, DA CRIAÇÃO DO CURSO AO CAMPUS VI” AUTOR EILZO MATOS. (Título original: FACULDADE DE DIREITO DE SOUSA DA CRIAÇÃO DO CURSO AO CAMPUS VI, 2ª Edição – ampliada Projeto e execução de editoração: diagramação, design gráfico e capa AGT - Produções - Augusto Ferraz Digitalização de fotos, fac-similes e conversão para formato digital Digital Design Copyright c 2001 janeiro Sousa - Paraíba – Brasil Editora Arpoador, João Pessoa 2001

EPÍGRAFE: "Eu vos dei raízes, outros vos darão asas e o selo da perpetuidade” José Américo de Almeida Discurso durante a inauguração da Universidade

Estadual da Paraíba, hoje Universidade Federal. FONTES DE PESQUISA: Campus VI - UFPB

Prefeitura Municipal de Sousa, Câmara Municipal de Sousa, Fundação Padre Ibiapina,

Museu Afonso Pereira, Conselho Estadual de Educação, Conselho Federal de Educação, Assembléia Legislativa da Paraíba, Ministério da Educação e Cultura, Fundação de Ensino Superior de Sousa, Poder Judiciário da Comarca de Sousa, Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, Imprensa da Paraíba, Jornal do Brasil.

Índice

I PARTE

Introdução....................................................................................15

1 - Educação em Sousa - antecedentes...............................................22

2 - A política - dificuldades..................................................................27

3 - Curso superior - primeira tentativa.................................................33

4 - A solução do problema - Fundação Padre Ibiapina......................37

5 - Instalação da Faculdade de Direito - convênio.............................42

6 - As aulas começam - obstáculos.....................................................48

7 - Criação da Fundação do Ensino Superior......................................53

8 - Uma decisão difícil - transferência do curso para a UFPB.............59

II PARTE

Anexos..................................................................................................67

1 - Legislação.......................................................................................68

2 - Resoluções - Pareceres - Portarias.................................................70

3 - Documentos diversos......................................................................74

4 - Diretores e Coordenadores do Curso............................................77

5 - Turmas concluintes - 1976.1 a 2000.2............................................81

6 - Concluintes por origem................................................................138

7 - Professores do Curso - 1971 a 2000.............................................139

III PARTE

1 - Cronologia - 1971 a 1993.............................................................151

2 - Fac-Símiles - documentação histórica.........................................162

Lei nº 704/71 - D.O. Paraíba cria a Faculdade de Direito de Sousa - 1971............................163

Ata de criação da Faculdade de Direito de Sousa - 1971......................................................164

Convênio entre Prefeitura e Fundação Padre Ibiapina - 1971..............................................172

Solicitação ao Conselho Estadual de Educação para funcionamento da FDS - 1971...........175

Processo 63/71 autoriza funcionamento da Faculdade de Direito de Sousa - 1971..............176

Resolução 16/71 autoriza funcionamento da Faculdade de Direito de Sousa - 1971............184

Correspondência do Profº. Afonso Pereira a Eilzo Matos sobre solenidade na FDS - 1971...185

Fund. Padre Ibiapina solicita CEE reconhecimento da FDS pelo MEC - 1973.......................186

Decreto 74.235 Diário Oficial da União autoriza o funcionamento da FDS - 1974..................188

Prefeitura de Sousa destina recursos para manutenção da Faculdade de Direito - 1972......189

Prefeitura de Sousa destina recursos para manutenção da Faculdade de Direito - 1972......190

Prefeitura contribui para com promoções para manutenção da Faculdade - 1976...............191

Diário Oficial de Sousa publica a Lei 855/76 que cria a Fund. de Ensino Superior - 1976.......192

Livro Ata do Conselho Diretor da Fundação de Ensino Superior - 1977................................194

Ata da 1ª reunião do Conselho Diretor da Fund. de Ensino Superior - 1977..........................195

Atos do Executivo na Administração da Faculdade de Direito de Sousa - 1977....................197

Imprensa divulga decisão do Tribunal de Justiça da Paraíba - 1977......................................198

Matéria do Jornal do Brasil denuncia a Faculdade de Direito de Sousa - 1977......................199

Portaria nomeia novo presidente da Fundação de Ensino Superior de Sousa - 1979............204

FES solicita ao Conselho Federal de Educação o reconhecimento do Curso - 1979.............205

Resolução 385/79 da UFPB cria o curso de direito do Campus VI - 1979..............................211

Convênio entre a Fundação de Ensino Superior e a UFPB - 1980........................................213

Portaria 352/83 do Ministério da Educação reconhece o Curso de Direito - 1983.................215

Portaria 01/89 da UFPB implanta o Centro de Ciências Jurídicas e Sociais - CCJS - 1989...216

3 - O Campus VI - hoje - estrutura básica ............................................217.

( continua )...

sábado, 30 de abril de 2011

Faculdade de Direito de Sousa

FACULDADE DE DIREITO DE SOUSA COMPLETA QUARENTA ANOS DE SUA CRIAÇÃO, INSTALAÇÃO E FUNCIONAMENTO – TEXTO DE APRESENTAÇÃO DO DR. FIRMO JUSTINO DE OLIVEIRA, PRIMEIRO DIRETOR DO CURSO, AO LIVRO DE AUTORIA DO DR. EILZO MATOS, QUE REGISTRA FATOS E TRANSCREVE DOCUMENTOS SOBRE O EVENTO HISTÓRICO NA VIDA DA CIDADE.

APRESENTAÇÃO
“Eilzo Matos, embora assistindo distante do centro de gravidade da
agitação cultural, tem-se sobressaído como o mais atuante e profícuo
trabalhador intelectual da Paraíba há bem mais de uma década. Nessa
quadra trouxe a lume relevante produção literária, consistente em
romances e ensaios instigantes de cunho filosófico e de pertinente e
atualizado pensamento político. Pode-se dizer, assim, que Eilzo retoma,
com o mesmo ardor, a paixão da juventude pela arte da palavra escrita em
boa forma literária.
Agora mesmo está a prover a Paraíba de importante documentário.
Trata-se da História da Faculdade de Direito de Sousa, confessadamente
construída tendo por modelo o clássico repositório de Clóvis Bevilácqua
sobre a congénere de Recife.
É bem de ver o esmero com que o romancista e poeta sousense
resgatou papéis já adormecidos em arquivos, recolheu depoimentos e
confrontou dados estatísticos, sem renunciar a sua vocação de artista
com nobre estilo literário.
E então ressalta de seu escrito um quadro vivo de uma nova época
de nossa estremecida cidade natal. Não mais a conversa miúda e sem
esperança das eternas e nunca jamais enfrentadas carências de nosso país
sousense, porém as discussões eloquentes e até mesmo eletrizantes sobre
os fatos sociais que deságuam no fenômeno jurídico, e seus efeitos na
redenção das sociedades humanas.
Do confronto dos dados estatísticos extrai o autor o resultado até
certo ponto desconcertante, o de que o repasse de verbas federais, pelo
caminho enviezado da manutenção da Faculdade de Direito de Sousa e
da remuneração do seu corpo docente e administrativo, supera, em
muito, a produção de bens da economia local e o dispêndio do Governo
do Estado com esta sua unidade municipal. Portanto, conclui o autor que
ainda sob este aspecto a criação da escola de nível superior em nosso
meio trouxe uma lufada de bom investimento à nossa pálida economia.
Ao concluir a honrosa incumbência de introduzir os leitores de
outras paragens nesta nova aquisição da historiografia paraibana,
gostaria exatamente de pedir a sua atenção para este aspecto do livro:
conforme apenas ficou sugerido no início do segundo parágrafo destas
linhas, a laboriosa contribuição de Eilzo não se limita só a lançar luzes
sobre a vivência de nossa terra e sua história de um passado ainda
recente, mas sim que, por sua abrangência documental e sociológica,
projeta-se em outros quadrantes e representa indispensável adjutório no
estudo e na compreensão das necessidades mais prementes das
populações meio que tresmalhadas de nossos interiores sem horizontes.
E ninguém melhor que Eilzo poderia empreender a tarefa,
considerando-se que foi ele o inspirador da idéia e o seu mais arrojado
executivo, a que deu nascimento o Prefeito Clarence Pires encontrando
no Professor Afonso Pereira da Silva o mais perfeito e decisivo obstetra.
Quanto a mim, indicado à revelia o seu primeiro diretor reitero que
aceitei a investidura mais como um desafio à prova unânime de
confiança, do que mesmo apondo fé e sobretudo reconhecendo
oportunidade e necessidade ao empreendimento.
Contudo, estou agora veramente convencido de que valeu a pena.
Sousa, inverno de 2000.
Firmo Justino de Oliveira

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Notas da Fazenda


FORRÓ DE PLÁSTICO
A gigantesca China de hoje, com raízes numa civilização de mais de 2500 anos, fundou o seu modelo no socialismo-marxista que chegou ao poder em 1949, sob a liderança de Mao Tse Tung à frente dos operários e camponeses na Grande Marcha, derrotando as conservadoras dinastias; e vivenciou, historicamente, momentos de  convivência com todas as tendências ideológicas presentes na vida da população. “Que desabrochem todas as flores, que prospe-rem todas as tendências: a síntese dialética que determina o mo-delo social vencerá no final”. Esta era a palavra de ordem. E chegaram aonde chegaram. Aperfeiçoam-se. É evidente que visões e manifestações destorcidas sobre a realidade objetiva, o momento histórico, fruto das variáveis que caracterizam a conduta dos homens, foram conhecidas e superadas, e até violentamente rejeitadas.  
Tal o nosso destino, acredito, e acontecerá no nosso país, como revelam passos à frente que a arte e o direito (super-estruturas ideológicas) têm dado numa política de massa. Quanto à arte e a política, na sua generalidade, revelam práticas que, lamen-tavelmente, tentam impor a institucionalização de um modelo ne-fasto, dirigido, criado pela mídia. A sociedade, todavia, faz sentir a força de sua escolha e decisões. Defender o “forró pé de serra” nada tem de conservador, mas de preservação da memória coletiva, comunitária, reveladas através da música popular. Vivo a atualidade musical, escuto Gonzagão, declamo Inácio da Catingueira e alguns autores paraibanos, sertanejos e caririzeiros. Esta a minha posição. Quanto ao forró de plástico não sei do que se trata. Seria o das bailarinas que dançam com e sem calcinha? Seria o das "letras incrementadas” no estilo:  " [...] eu tenho uma filhinha bonitinha, parece uma goiabinha, mas meu vizinho tá querendo comer a bichinha [...] bote dentro que fora não dá [...] vou pruma festa com cachaça, forró e rapariga [...] pode chupar, é mais gostoso do que picolé e você vai gostar e vai gozar..."  E mais e mais versos neste padrão. Que escuto e não canto. Coisa da idade? Não sei, porque não desgosto de certas práticas instintivas, animais.
Colhi na internet, ressentido comentário do nosso Ariano Suassuna sobre este tema. Permitam-me a citação abaixo – longa mas explicativa, elucidativa da polêmica que envolve intelectuais paraibanos chegando ao cume do poder, envolvendo o Secretário da Cultura e a Primeira Dama do Estado. Eles declararam que seus ouvidos não são pinicos para escutar o que chamam “forró de plás-tico”. Vejamos a argumentação do mestre da Pedra do Reino.
“Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!’. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas bandas do gênero). As outras são ‘gaia’, ‘cabaré’, e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a ci-dade.”
            Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá: Calcinha no chão (Caviar com Rapadura); Zé Priquito, (Duquinha); Fiel à putaria (Felipão Forró Moral); Chefe do puteiro (Aviões do forró); Mulher roleira (Saia Rodada); Mulher roleira a resposta (Forró Real);Chico Rola (Bonde do Forró),Banho de língua (Solteirões do Forró); Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal); Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada); Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca); Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró); Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró);  Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.” – Ariano Suassuna.
No caso, fico com Chico César e a Primeira Dama, sem política partidária e de governo: o meu ouvido também não é pinico, bispote de barro, como diria o saudoso coronel José Rufino de Areia, senhor de engenho e intelectual no estilo do Comendador José Henrique, comtistas conservadores evoluídos.
........................Semana Santa. Chuva muita no Sertão..............

sábado, 9 de abril de 2011

Notas da Fazenda


“É UMA DOR SEM FIM”
 MANCHETE DA TV BANDEIRANTES ANUNCIANDO O SEPULTAMENTO DE CRIANÇAS BRUTALMENTE ASSASSINADAS .
A notícia abalou a nação inteira. Até nos ambientes de fantásticas necrópoles, nos redutos mais habituados à luta pelo dinheiro, pela conquista de posições referenciais, aquelas pessoas que fizeram da mentira, da perfídia, do ódio, da violência, da crueldade, do roubo e do assassinato a sua marca, literatos escatófilos, contiveram o esgar vampiresco que se compraz com o sangue – mito da dor e da miséria humanas. A dissimulação, a argumentação forçada e a peroração científica, não explicavam o que residia na origem do acontecimento. A ação foi brusca e o resultado alcançado: doze crianças com menos de quinze anos foram assassinadas a tiros de revólver, mais de dez restaram feridas pelo agressor homicida. Refletiram todos, mesmo assim, por um instante, e certamente se indagaram:  Por que? 
Com mais de setenta anos bem vividos, no centro dos acontecimentos que se desenrolam na vida da sociedade, também me surpreendi com a notícia desumana e implacável no seu conteúdo, com a lembrança obliterada e impedida de se realizar na memória dos fatos, numa escala valorativa. A midia cumpriu o seu papel como integrante (não mais instrumento) do sistema global de dominação da sociedade − avançou para confundir, em impenitentes exegeses meramente ritualistas, litúrgicas ajudadas por todas as expressões e formas de envolvimento da coletividade, rumo aos paradoxos que explicam as teses antropofágicas do Mercado e deixam todos plenamente conscientes que nada entenderam, isentando-se de responsabilidade. Isso mesmo. Apesar de tudo, vacilou, titubeou.
Tivemos Auschwitz, Treblinka, Arquipélago Gulag, Hiroshima, Átila, FHC – enfim a fórmula ideal onde o bem e o mal se contrapõem e vezes se compõem, se completam. Impossível agora, com as alegorias harrypoteanas, os avatares decidindo os destinos, na clareza da inevitável disputa de situações e tesouros, intentarmos encontrar nos escuros desvãos da consciência hu-   mana, e entendermos a caverna de Platão, o super homem de Nietsche, o insconsciente, a libido anal de Freud. Porque seria mais simples com as enunciações precisas da geometria plana. É desses mistérios e apoteoses científicas e matemáticas que se sustenta a negação das coisas simples.
Aqui onde moro as interpretações, também as escolhidas pela mídia, remetem ao ódio a origem e conseqüências das tragédias; à superestrutura jurídica e ideológica da sociedade, que produz lesões difíceis de reparação nos ínvios círculos neurônicos, emaranhados no cérebro humano.
Como explicar a frustração da felicidade que se pode legitimamente esperar? É perturbadora a indagação.
“Simplesmente porque pertence a uma sociedade em que a tragédia aguarda o homem a cada momento, em que o menor incidente pode sempre desencadear catástrofes”. [...] “A Fatalidade seria mais aqui uma espécie de constrangimento social que priva o homem de toda liberdade de escolha...” Este o quadro social, a via que devemos palmilhar na modernidade, e nos são oferecidos inapelavelmente. Esta reflexão encontrei-a na tese sobre o cangaço, do mestre francês da universidade de Grenoble, Jean Orecchione, a propósito do romance “Coiteiros” de José Américo de Almeida, incluído na “Coleção Cangaço” Edições Aquarius Ltda. João Pessoa, sem data. Ele rematava o capítulo de sua tese: “O Sertão é verdadeiramente esta cena trágica sobre a qual, como dizia Valery, ‘paira constantemente a morte violenta’”.
Assim também em Vigário Geral, nas escolas elementares, nas universidades, nas agências bancárias, nas estradas, nas ruas das cidades brasileiras.
...................Assassinada hoje com um tiro de revolver num assalto, na estrada Pombal/Coremas, a amiga Noeme, vizinha de propriedade.......................